{"id":1648,"date":"2025-09-23T21:05:00","date_gmt":"2025-09-24T00:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.barbieriadvogados.com\/?p=1648"},"modified":"2025-09-23T21:05:00","modified_gmt":"2025-09-24T00:05:00","slug":"a-nova-hipotese-de-justa-causa-perda-de-habilitacao-profissional-lei-13-467-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/a-nova-hipotese-de-justa-causa-perda-de-habilitacao-profissional-lei-13-467-2017\/","title":{"rendered":"A Nova Hip\u00f3tese de Justa Causa: Perda de Habilita\u00e7\u00e3o Profissional (Lei 13.467\/2017)"},"content":{"rendered":"\n      <title>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Nova Hip\u00f3tese de Justa Causa na CLT | Barbieri Advogados<\/title>      <article>    <h1 class=\"wp-block-heading\">A Nova Hip\u00f3tese de Justa Causa: Perda de Habilita\u00e7\u00e3o Profissional (Lei 13.467\/2017)<\/h1><h1>A Nova Hip\u00f3tese de Justa Causa: Perda de Habilita\u00e7\u00e3o Profissional (Lei 13.467\/2017)<\/h1><h2><strong>An\u00e1lise Doutrin\u00e1ria e Jurisprudencial da Al\u00ednea &#8220;m&#8221; do Art. 482 da CLT<\/strong><\/h2><h3><strong>1. Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3><p>A Lei 13.467\/2017 (Reforma Trabalhista) introduziu significativas altera\u00e7\u00f5es no ordenamento juslaboral brasileiro, dentre as quais merece destaque a inclus\u00e3o da al\u00ednea &#8220;m&#8221; no art. 482 da CLT. Esta nova hip\u00f3tese de justa causa disp\u00f5e sobre a &#8220;perda da habilita\u00e7\u00e3o ou dos requisitos estabelecidos em lei para o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o, em decorr\u00eancia de conduta dolosa do empregado&#8221;.<\/p><p>A inova\u00e7\u00e3o legislativa busca atender demanda pr\u00e1tica dos empregadores em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas onde a manuten\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo empregat\u00edcio torna-se invi\u00e1vel devido \u00e0 perda, pelo empregado, da capacidade jur\u00eddica para o exerc\u00edcio de sua fun\u00e7\u00e3o. Contudo, a aplica\u00e7\u00e3o do instituto tem gerado controv\u00e9rsias doutrin\u00e1rias e diverg\u00eancias jurisprudenciais que merecem an\u00e1lise detida.<\/p><h3><strong>2. Fundamentos Doutrin\u00e1rios<\/strong><\/h3><h4><strong>2.1. A An\u00e1lise de Luciano Martinez<\/strong><\/h4><p>Luciano Martinez, em seu &#8220;Curso de Direito do Trabalho&#8221;, oferece a mais abrangente an\u00e1lise doutrin\u00e1ria sobre a nova hip\u00f3tese. Segundo o autor, &#8220;por meio dessa norma a perda da habilita\u00e7\u00e3o ou de qualquer outro requisito estabelecido em lei para o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o, desde que em decorr\u00eancia de conduta dolosa do empregado, ser\u00e1 motivo suficiente para a resolu\u00e7\u00e3o contratual por inexecu\u00e7\u00e3o faltosa.&#8221;<\/p><p>Martinez identifica dois exemplos paradigm\u00e1ticos: o motorista que, &#8220;por ingest\u00e3o intencional de bebida alco\u00f3lica, \u00e9 apenado com a perda da habilita\u00e7\u00e3o para dirigir durante determinado per\u00edodo&#8221; e &#8220;o advogado-empregado que por ato de improbidade \u00e9 suspenso pela OAB.&#8221;<\/p><p>O aspecto mais relevante da an\u00e1lise de Martinez reside no questionamento central que prop\u00f5e: &#8220;qual seria a solu\u00e7\u00e3o dada ao empregado que tivesse perdido a habilita\u00e7\u00e3o ou qualquer outro requisito estabelecido em lei para o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o, mas em decorr\u00eancia de conduta culposa?&#8221;<\/p><p>Sua resposta \u00e9 categ\u00f3rica: &#8220;n\u00e3o se poderia falar, evidentemente, em despedida por justa causa, pois a perda ou a suspens\u00e3o da habilita\u00e7\u00e3o teriam decorrido de conduta culposa do empregado, e n\u00e3o de conduta dolosa.&#8221;<\/p><p>Para essas hip\u00f3teses, Martinez prop\u00f5e solu\u00e7\u00e3o equilibrada: &#8220;o empregador estaria autorizado, depois de tentada a readapta\u00e7\u00e3o funcional em homenagem ao dever de acomoda\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel, a resilir o contrato por motivos de natureza t\u00e9cnica. A dispensa n\u00e3o seria arbitr\u00e1ria, porque existiria um motivo t\u00e9cnico a dar lastro \u00e0 ruptura do contrato por iniciativa patronal.&#8221;<\/p><h4><strong>2.2. A Contribui\u00e7\u00e3o de Henrique Correia<\/strong><\/h4><p>Henrique Correia, em seu &#8220;Curso de Direito do Trabalho&#8221;, converge com Martinez ao enfatizar que &#8220;caso esse empregado venha a perder a habilita\u00e7\u00e3o ou o requisito legal exigido, por conduta dolosa, haver\u00e1 hip\u00f3tese de justa causa para a dispensa do trabalhador.&#8221;<\/p><p>Correia oferece exemplo espec\u00edfico: &#8220;motorista profissional para o transporte de passageiros, exige-se que o trabalhador possua habilita\u00e7\u00e3o para dirigir na categoria &#8216;D&#8217;, que se refere \u00e0 condu\u00e7\u00e3o de ve\u00edculo cuja lota\u00e7\u00e3o exceda a 8 passageiros, excluindo o motorista. Se o trabalhador cometer infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito, por conduta dolosa, que ocasione a perda da habilita\u00e7\u00e3o, com a suspens\u00e3o do direito de dirigir, poder\u00e1 ser dispensado por justa causa.&#8221;<\/p><p>Relevante inova\u00e7\u00e3o de Correia reside na identifica\u00e7\u00e3o de casos espec\u00edficos onde a justa causa n\u00e3o se aplica, destacando-se: &#8220;caso a perda da habilita\u00e7\u00e3o e dos requisitos legais decorra de conduta culposa ou por for\u00e7a maior, a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o autoriza a dispensa por justa causa do empregado.&#8221; Ademais, &#8220;se o empregado perde a habilita\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o de cumprimento de orienta\u00e7\u00e3o de seu empregador, entendemos que a dispensa por justa causa n\u00e3o pode ser aplicada, pois o trabalhador apenas atuou seguindo a pr\u00f3pria orienta\u00e7\u00e3o da empresa por aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da boa-f\u00e9.&#8221;<\/p><p>Correia ainda recupera precedente jurisprudencial anterior \u00e0 Reforma: a jurisprud\u00eancia trabalhista j\u00e1 reconhecia que &#8220;configurava hip\u00f3tese de des\u00eddia no desempenho das fun\u00e7\u00f5es quando o empregado dirigia com CNH vencida h\u00e1 mais de 30 dias&#8221; (TRT-3 &#8211; RO: 15207 00784-2006-103-03-00-0).<\/p><h3><strong>3. An\u00e1lise Jurisprudencial<\/strong><\/h3><h4><strong>3.1. Panorama Geral dos Tribunais Regionais do Trabalho<\/strong><\/h4><p>A aplica\u00e7\u00e3o da al\u00ednea &#8220;m&#8221; do art. 482 da CLT tem gerado debate consider\u00e1vel nos tribunais trabalhistas, revelando tend\u00eancia de interpreta\u00e7\u00e3o restritiva que corrobora, em grande medida, as an\u00e1lises doutrin\u00e1rias de Martinez e Correia sobre a necessidade de rigorosa caracteriza\u00e7\u00e3o do elemento subjetivo.<\/p><h4><strong>3.2. Argumentos Favor\u00e1veis \u00e0 Aplica\u00e7\u00e3o da Justa Causa<\/strong><\/h4><p><strong>a) Requisitos Essenciais da Profiss\u00e3o<\/strong><\/p><p>O TRT da 1\u00aa Regi\u00e3o, no processo 0100937-67.2022.5.01.0204, reconheceu que &#8220;a posse de habilita\u00e7\u00e3o v\u00e1lida \u00e9 requisito essencial para o exerc\u00edcio de determinadas profiss\u00f5es, especialmente a de motorista&#8221;, validando a justa causa quando h\u00e1 &#8220;n\u00e3o renova\u00e7\u00e3o da habilita\u00e7\u00e3o, por neglig\u00eancia ou dolo do empregado.&#8221;<\/p><p>Similarmente, o TRT da 4\u00aa Regi\u00e3o, no processo 0020147-28.2021.5.04.0017, validou a justa causa quando &#8220;o empregado n\u00e3o consegue atender aos requisitos necess\u00e1rios para a habilita\u00e7\u00e3o profissional, como a obten\u00e7\u00e3o de atestado de bons antecedentes.&#8221;<\/p><p><strong>b) Caracteriza\u00e7\u00e3o da Conduta Dolosa<\/strong><\/p><p>O TRT da 1\u00aa Regi\u00e3o, no processo 0101365-09.2019.5.01.0025, estabeleceu que &#8220;a caracteriza\u00e7\u00e3o da conduta dolosa do empregado \u00e9 crucial&#8221;, exigindo que &#8220;a perda da habilita\u00e7\u00e3o decorra de uma a\u00e7\u00e3o intencional ou de neglig\u00eancia grave por parte do empregado.&#8221;<\/p><p>Interessante precedente encontra-se no TRT da 4\u00aa Regi\u00e3o, processo 0020488-65.2018.5.04.0015, onde se equiparou &#8220;conduta culposa grav\u00edssima ao dolo para fins de aplica\u00e7\u00e3o da justa causa&#8221;, embora este mesmo ac\u00f3rd\u00e3o tenha estabelecido a &#8220;veda\u00e7\u00e3o \u00e0 dupla puni\u00e7\u00e3o pelo mesmo fato.&#8221;<\/p><p><strong>c) Inviabilidade da Continuidade Contratual<\/strong><\/p><p>O TRT da 4\u00aa Regi\u00e3o, no processo 0020290-93.2023.5.04.0551, reconheceu &#8220;a justa causa como penalidade m\u00e1xima para o empregado que pratica falta grave que inviabilize a continuidade da rela\u00e7\u00e3o de emprego.&#8221;<\/p><p>No processo 0020408-13.2020.5.04.0733, o mesmo tribunal considerou v\u00e1lida a justa causa por &#8220;aus\u00eancia de requisito para o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o de motorista, devido ao t\u00e9rmino da validade da CNH e a pend\u00eancia no exame toxicol\u00f3gico.&#8221;<\/p><h4><strong>3.3. Argumentos Desfavor\u00e1veis \u00e0 Aplica\u00e7\u00e3o da Justa Causa<\/strong><\/h4><p><strong>a) Necessidade Imperiosa de Comprova\u00e7\u00e3o do Dolo<\/strong><\/p><p>A jurisprud\u00eancia tem sido rigorosa quanto \u00e0 exig\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o do elemento subjetivo. O TRT da 4\u00aa Regi\u00e3o, no processo 0020930-03.2019.5.04.0401, estabeleceu precedente fundamental ao decidir que &#8220;a simples infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito ou a perda da habilita\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o suficientes para justificar a justa causa. \u00c9 imprescind\u00edvel a comprova\u00e7\u00e3o do dolo do empregado.&#8221;<\/p><p>Convergindo nesta linha, o TRT da 4\u00aa Regi\u00e3o, no processo 0020762-61.2020.5.04.0402, destacou que &#8220;a justa causa n\u00e3o se sustenta se n\u00e3o houver in\u00e9rcia ou conduta dolosa do empregado&#8221;, exigindo &#8220;prova inequ\u00edvoca da falta grave cometida pelo empregado.&#8221;<\/p><p>O TRT da 1\u00aa Regi\u00e3o, no processo 0100090-39.2018.5.01.0064, consolidou entendimento no sentido de que &#8220;a aus\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o do dolo do empregado \u00e9 um fator determinante para a revers\u00e3o da justa causa.&#8221;<\/p><p><strong>b) Interpreta\u00e7\u00e3o Restritiva do Instituto<\/strong><\/p><p>Os tribunais t\u00eam aplicado interpreta\u00e7\u00e3o restritiva ao instituto da justa causa, considerando-a &#8220;a penalidade m\u00e1xima imposta ao empregado&#8221;, conforme decidido pelo TRT da 1\u00aa Regi\u00e3o no processo 0102576-75.2016.5.01.0481, que exige &#8220;prova robusta da falta cometida&#8221; e determina que &#8220;a interpreta\u00e7\u00e3o do artigo 482 da CLT deve ser restritiva, aplicando-se somente em casos de comprovada gravidade da conduta do empregado.&#8221;<\/p><p><strong>c) Distin\u00e7\u00e3o entre Suspens\u00e3o Tempor\u00e1ria e Perda Definitiva<\/strong><\/p><p>Precedente relevante encontra-se no TRT da 1\u00aa Regi\u00e3o, processo 0100063-03.2020.5.01.0059, que estabeleceu distin\u00e7\u00e3o fundamental: &#8220;A suspens\u00e3o tempor\u00e1ria da habilita\u00e7\u00e3o, por medida cautelar penal, por exemplo, n\u00e3o se equipara \u00e0 &#8216;perda&#8217; da habilita\u00e7\u00e3o exigida pelo artigo 482, al\u00ednea &#8216;m&#8217;, da CLT.&#8221;<\/p><p>O mesmo ac\u00f3rd\u00e3o determinou que &#8220;a justa causa somente se justifica em casos de perda definitiva da habilita\u00e7\u00e3o decorrente de conduta dolosa do empregado&#8221;, aplicando o &#8220;princ\u00edpio da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia&#8221; para afastar a justa causa em casos de &#8220;medidas cautelares penais que impe\u00e7am o empregado de exercer sua fun\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p><h4><strong>3.4. Crit\u00e9rios Jurisprudenciais Consolidados<\/strong><\/h4><p><strong>a) Requisitos Procedimentais<\/strong><\/p><p>A jurisprud\u00eancia tem exigido observ\u00e2ncia rigorosa dos requisitos cl\u00e1ssicos da justa causa. O TRT da 1\u00aa Regi\u00e3o, no processo 0102576-75.2016.5.01.0481, estabeleceu que &#8220;a aplica\u00e7\u00e3o da justa causa exige a observ\u00e2ncia de requisitos como a imediatidade da puni\u00e7\u00e3o, a proporcionalidade entre a falta e a san\u00e7\u00e3o, e a aus\u00eancia de perd\u00e3o t\u00e1cito ou expresso.&#8221;<\/p><p>O mesmo tribunal determinou que &#8220;o \u00f4nus da prova da justa causa \u00e9 do empregador, que deve comprovar a ocorr\u00eancia da falta grave e o dolo do empregado.&#8221;<\/p><p><strong>b) An\u00e1lise da Proporcionalidade<\/strong><\/p><p>O TRT da 4\u00aa Regi\u00e3o, no processo 0020290-93.2023.5.04.0551, estabeleceu que &#8220;a an\u00e1lise da conduta do empregado deve considerar a gravidade da falta, a imediatidade da puni\u00e7\u00e3o e a proporcionalidade da penalidade aplicada.&#8221;<\/p><p>Ademais, o TRT da 4\u00aa Regi\u00e3o, no processo 0020930-03.2019.5.04.0401, reconheceu que &#8220;a confian\u00e7a entre as partes \u00e9 um elemento essencial \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do contrato de trabalho, e a quebra dessa confian\u00e7a pode justificar a justa causa, desde que comprovada a conduta dolosa do empregado.&#8221;<\/p><h3><strong>4. Converg\u00eancia Doutrin\u00e1ria e Jurisprudencial<\/strong><\/h3><p>A an\u00e1lise da jurisprud\u00eancia emergente confirma, em substancial medida, os posicionamentos doutrin\u00e1rios de Martinez e Correia. A converg\u00eancia manifesta-se especialmente em tr\u00eas aspectos fundamentais:<\/p><p><strong>a) Centralidade do Elemento Subjetivo:<\/strong> Tanto a doutrina quanto a jurisprud\u00eancia reconhecem a imprescindibilidade da comprova\u00e7\u00e3o do dolo, afastando a aplica\u00e7\u00e3o da justa causa em casos de mera conduta culposa.<\/p><p><strong>b) Interpreta\u00e7\u00e3o Restritiva:<\/strong> Os tribunais t\u00eam adotado interpreta\u00e7\u00e3o restritiva do instituto, alinhando-se com a tradi\u00e7\u00e3o jurisprudencial brasileira de considerar a justa causa como medida excepcional.<\/p><p><strong>c) Prote\u00e7\u00e3o contra Arbitrariedades:<\/strong> A exig\u00eancia jurisprudencial de prova robusta da falta grave converge com a preocupa\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria de prote\u00e7\u00e3o do empregado contra dispensas arbitr\u00e1rias.<\/p><h3><strong>5. Quest\u00f5es Controvertidas e Perspectivas<\/strong><\/h3><h4><strong>5.1. Crit\u00e9rios para Caracteriza\u00e7\u00e3o do Dolo<\/strong><\/h4><p>Permanece em aberto a defini\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios precisos para caracteriza\u00e7\u00e3o do dolo. A jurisprud\u00eancia tem analisado caso a caso, considerando elementos como intencionalidade da conduta, gravidade da infra\u00e7\u00e3o e consequ\u00eancias para o exerc\u00edcio profissional.<\/p><h4><strong>5.2. Extens\u00e3o do Conceito de &#8220;Requisitos Estabelecidos em Lei&#8221;<\/strong><\/h4><p>A amplitude da express\u00e3o &#8220;requisitos estabelecidos em lei&#8221; ainda carece de delimita\u00e7\u00e3o jurisprudencial mais precisa, especialmente quanto \u00e0 distin\u00e7\u00e3o entre exig\u00eancias legais e regulamentares.<\/p><h4><strong>5.3. Procedimentos de Readapta\u00e7\u00e3o Funcional<\/strong><\/h4><p>A proposta de Martinez sobre o dever de acomoda\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel atrav\u00e9s da readapta\u00e7\u00e3o funcional ainda n\u00e3o encontrou desenvolvimento jurisprudencial espec\u00edfico, representando campo f\u00e9rtil para futuras constru\u00e7\u00f5es pretorianas.<\/p><h3><strong>6. Orienta\u00e7\u00f5es Pr\u00e1ticas<\/strong><\/h3><h4><strong>6.1. Para Empregadores<\/strong><\/h4><p>Com base na converg\u00eancia doutrin\u00e1ria e jurisprudencial analisada, recomenda-se:<\/p><ul class=\"tight\" data-tight=\"true\"><li><p>Documenta\u00e7\u00e3o rigorosa da perda da habilita\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de fontes oficiais<\/p><\/li><li><p>Comprova\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca da conduta dolosa mediante evid\u00eancias concretas da intencionalidade<\/p><\/li><li><p>Observ\u00e2ncia dos requisitos cl\u00e1ssicos da justa causa (imediatidade, proporcionalidade, aus\u00eancia de perd\u00e3o)<\/p><\/li><li><p>Tentativa de readapta\u00e7\u00e3o funcional em casos duvidosos quanto ao elemento subjetivo<\/p><\/li><\/ul><h4><strong>6.2. Para a Defesa dos Empregados<\/strong><\/h4><p>A estrat\u00e9gia defensiva deve focar:<\/p><ul class=\"tight\" data-tight=\"true\"><li><p>Questionamento rigoroso da caracteriza\u00e7\u00e3o do dolo mediante demonstra\u00e7\u00e3o da natureza culposa da conduta<\/p><\/li><li><p>Invoca\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia em casos de medidas cautelares<\/p><\/li><li><p>Exig\u00eancia de cumprimento do \u00f4nus probat\u00f3rio pelo empregador<\/p><\/li><li><p>Valoriza\u00e7\u00e3o de circunst\u00e2ncias atenuantes que afastem a configura\u00e7\u00e3o do elemento subjetivo<\/p><\/li><\/ul><h3><strong>7. Conclus\u00e3o<\/strong><\/h3><p>A an\u00e1lise da al\u00ednea &#8220;m&#8221; do art. 482 da CLT revela instituto de aplica\u00e7\u00e3o restritiva, cuja efic\u00e1cia depende da rigorosa observ\u00e2ncia dos elementos constitutivos, especialmente a comprova\u00e7\u00e3o da conduta dolosa do empregado.<\/p><p>A converg\u00eancia entre os posicionamentos doutrin\u00e1rios de Martinez e Correia, confirmada pela jurisprud\u00eancia emergente dos Tribunais Regionais do Trabalho, aponta para consolida\u00e7\u00e3o de interpreta\u00e7\u00e3o que equilibra a prote\u00e7\u00e3o dos interesses empresariais leg\u00edtimos com a salvaguarda dos direitos fundamentais dos trabalhadores.<\/p><p>A distin\u00e7\u00e3o fundamental entre condutas dolosas e culposas, proposta pela doutrina e referendada pelos tribunais, oferece crit\u00e9rio seguro para aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica do instituto, evitando arbitrariedades e preservando a fun\u00e7\u00e3o social do Direito do Trabalho.<\/p><p>As quest\u00f5es ainda controvertidas &#8211; especialmente os crit\u00e9rios para caracteriza\u00e7\u00e3o do dolo e a extens\u00e3o da readapta\u00e7\u00e3o funcional &#8211; demandam desenvolvimento jurisprudencial futuro, possivelmente culminando em orienta\u00e7\u00e3o sumulada do Tribunal Superior do Trabalho.<\/p><hr><p><\/p><\/article>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entenda a inclus\u00e3o da al\u00ednea<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6250,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1648","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1648","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1648"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1648\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6250"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1648"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1648"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1648"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}