{"id":1650,"date":"2025-09-24T16:05:00","date_gmt":"2025-09-24T19:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.barbieriadvogados.com\/?p=1650"},"modified":"2025-09-24T16:05:00","modified_gmt":"2025-09-24T19:05:00","slug":"a-habilitacao-do-marido-a-pensao-por-morte-no-ipergs-evolucao-jurisprudencial-e-aplicacao-do-principio-da-isonomia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/a-habilitacao-do-marido-a-pensao-por-morte-no-ipergs-evolucao-jurisprudencial-e-aplicacao-do-principio-da-isonomia\/","title":{"rendered":"Pens\u00e3o por Morte do IPERGS, habilita\u00e7\u00e3o para o Marido: Isonomia e Tema 457 do STF (2026)"},"content":{"rendered":"<h1><\/h1>\n<section>\n<h2>Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Durante d\u00e9cadas, a legisla\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria do Rio Grande do Sul tratou de forma desigual homens e mulheres para fins de pens\u00e3o por morte. Enquanto a esposa tinha direito autom\u00e1tico ao benef\u00edcio, o marido precisava comprovar invalidez e depend\u00eancia econ\u00f4mica para ser habilitado como pensionista. Essa discrimina\u00e7\u00e3o foi objeto de intenso debate jur\u00eddico at\u00e9 ser definitivamente afastada.<\/p>\n<p>O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 659.424 com repercuss\u00e3o geral (Tema 457), declarou inconstitucional a exig\u00eancia de requisitos diferenciados para pens\u00e3o por morte em raz\u00e3o do sexo do benefici\u00e1rio. A decis\u00e3o, proferida em outubro de 2020, teve origem justamente em caso do IPERGS e orientou a resolu\u00e7\u00e3o de milhares de processos semelhantes.<\/p>\n<p>Atualmente, a Lei Complementar Estadual 15.142\/2018 disciplina o regime previdenci\u00e1rio dos servidores ga\u00fachos de forma ison\u00f4mica. O c\u00f4njuge, independentemente do sexo, \u00e9 reconhecido como dependente com presun\u00e7\u00e3o legal de depend\u00eancia econ\u00f4mica. N\u00e3o h\u00e1 mais distin\u00e7\u00e3o entre marido e esposa para fins de habilita\u00e7\u00e3o \u00e0 pens\u00e3o por morte.<\/p>\n<p>Este artigo apresenta a evolu\u00e7\u00e3o jurisprudencial sobre o tema, os requisitos atuais para habilita\u00e7\u00e3o do c\u00f4njuge var\u00e3o, a tabela de dura\u00e7\u00e3o da pens\u00e3o conforme a idade e as orienta\u00e7\u00f5es para casos de \u00f3bitos ocorridos antes da vig\u00eancia da nova legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/section>\n<section id=\"direito-marido\">\n<h2>O marido tem direito \u00e0 pens\u00e3o por morte do IPERGS?<\/h2>\n<p>Sim. A Lei Complementar 15.142\/2018 estabelece, em seu artigo 11, inciso I, que o c\u00f4njuge \u00e9 dependente do servidor p\u00fablico estadual para fins previdenci\u00e1rios. A norma n\u00e3o faz distin\u00e7\u00e3o de sexo, tratando de forma igualit\u00e1ria marido e esposa.<\/p>\n<p>A depend\u00eancia econ\u00f4mica do c\u00f4njuge \u00e9 presumida pela legisla\u00e7\u00e3o. Isso significa que o marido n\u00e3o precisa apresentar comprovantes de que dependia financeiramente da servidora falecida. Basta demonstrar a condi\u00e7\u00e3o de c\u00f4njuge mediante certid\u00e3o de casamento atualizada.<\/p>\n<p>Essa igualdade de tratamento representa uma conquista hist\u00f3rica. At\u00e9 abril de 2018, a legisla\u00e7\u00e3o estadual exigia que o marido comprovasse duas condi\u00e7\u00f5es cumulativas para ter direito \u00e0 pens\u00e3o: invalidez e depend\u00eancia econ\u00f4mica. A esposa, por outro lado, recebia o benef\u00edcio automaticamente, sem qualquer exig\u00eancia adicional.<\/p>\n<p><strong>Fundamento legal:<\/strong>\u00a0O direito do c\u00f4njuge \u00e0 pens\u00e3o por morte est\u00e1 previsto no artigo 11, inciso I, da LC 15.142\/2018, que define os dependentes do segurado. Para informa\u00e7\u00f5es detalhadas sobre o procedimento de habilita\u00e7\u00e3o, consulte nosso artigo sobre\u00a0<a href=\"https:\/\/barbieriadvogados.com.br\/pensao-por-morte-do-ipergs-requisitos-e-procedimentos-para-habilitacao-apos-a-lei-complementar-15-142-2018\/\">requisitos para pens\u00e3o do IPERGS<\/a>.<\/p>\n<\/section>\n<section id=\"inconstitucionalidade\">\n<h2>Por que a legisla\u00e7\u00e3o antiga era considerada inconstitucional?<\/h2>\n<p>A Lei Estadual 7.672\/82, que disciplinava o IPERGS at\u00e9 abril de 2018, estabelecia tratamento diferenciado entre c\u00f4njuges em raz\u00e3o do sexo. Enquanto a esposa era automaticamente reconhecida como dependente, o marido s\u00f3 teria direito \u00e0 pens\u00e3o se comprovasse cumulativamente invalidez e depend\u00eancia econ\u00f4mica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 servidora falecida.<\/p>\n<p>Essa diferencia\u00e7\u00e3o violava frontalmente o princ\u00edpio constitucional da isonomia entre homens e mulheres, previsto no artigo 5\u00ba, inciso I, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. A norma partia de uma premissa ultrapassada: a de que a mulher seria naturalmente dependente do marido, enquanto o contr\u00e1rio n\u00e3o seria verdadeiro.<\/p>\n<h3>Fundamentos da inconstitucionalidade<\/h3>\n<p>A discrimina\u00e7\u00e3o n\u00e3o encontrava justificativa razo\u00e1vel. A Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 consagrou a igualdade de direitos e obriga\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres, superando o modelo patriarcal que informava legisla\u00e7\u00f5es anteriores. Exigir do marido requisitos n\u00e3o exigidos da esposa representava discrimina\u00e7\u00e3o injustific\u00e1vel.<\/p>\n<p>Estudos do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA) demonstram a crescente participa\u00e7\u00e3o feminina como chefes de fam\u00edlia e principais provedoras do sustento dom\u00e9stico. A presun\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia econ\u00f4mica exclusivamente feminina tornou-se completamente anacr\u00f4nica.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio IPERGS, ao defender a constitucionalidade da norma perante o STF, argumentou que a lei n\u00e3o era contr\u00e1ria aos maridos, mas favor\u00e1vel \u00e0s esposas. O argumento n\u00e3o prosperou, pois a prote\u00e7\u00e3o diferenciada sem fundamento razo\u00e1vel configura discrimina\u00e7\u00e3o vedada pela Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/section>\n<section id=\"tema-457\">\n<h2>O que decidiu o STF no Tema 457?<\/h2>\n<p>O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordin\u00e1rio 659.424 com repercuss\u00e3o geral, fixou tese vinculante sobre a mat\u00e9ria. A decis\u00e3o foi proferida na sess\u00e3o virtual encerrada em 9 de outubro de 2020, sob relatoria do Ministro Celso de Mello.<\/p>\n<h3>Tese de Repercuss\u00e3o Geral<\/h3>\n<p>O Plen\u00e1rio do STF, por unanimidade, fixou a seguinte tese: &#8220;\u00c9 inconstitucional, por transgress\u00e3o ao princ\u00edpio da isonomia entre homens e mulheres (CF, art. 5\u00ba, I), a exig\u00eancia de requisitos legais diferenciados para efeito de outorga de pens\u00e3o por morte de ex-servidores p\u00fablicos em rela\u00e7\u00e3o a seus respectivos c\u00f4njuges ou companheiros\/companheiras (CF, art. 201, V).&#8221;<\/p>\n<h3>Origem do caso<\/h3>\n<p>O caso paradigma teve origem no Rio Grande do Sul. O IPERGS interp\u00f4s recurso extraordin\u00e1rio contra decis\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a que determinou a concess\u00e3o de pens\u00e3o por morte ao c\u00f4njuge de uma ex-servidora estadual sem a comprova\u00e7\u00e3o de invalidez ou depend\u00eancia econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>O Ministro Celso de Mello destacou que a jurisprud\u00eancia do STF era pac\u00edfica no sentido de que a exig\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o de invalidez ou depend\u00eancia econ\u00f4mica apenas para o c\u00f4njuge var\u00e3o contraria o postulado constitucional da igualdade. O princ\u00edpio da isonomia vincula todas as manifesta\u00e7\u00f5es do Poder P\u00fablico.<\/p>\n<h3>Efeitos da decis\u00e3o<\/h3>\n<p>A decis\u00e3o com repercuss\u00e3o geral orienta a resolu\u00e7\u00e3o de todos os casos semelhantes em tramita\u00e7\u00e3o no Poder Judici\u00e1rio. \u00c0 \u00e9poca do julgamento, havia pelo menos 1.700 processos aguardando a defini\u00e7\u00e3o da tese pelo STF. Para consultar o inteiro teor do ac\u00f3rd\u00e3o, acesse o\u00a0<a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/jurisprudenciaRepercussao\/tema.asp?num=457\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">portal do STF sobre o Tema 457<\/a>.<\/p>\n<\/section>\n<section id=\"lc-15142\">\n<h2>O que mudou com a LC 15.142\/2018?<\/h2>\n<p>A Lei Complementar 15.142, de 5 de abril de 2018, representou marco fundamental na moderniza\u00e7\u00e3o do regime previdenci\u00e1rio dos servidores p\u00fablicos do Rio Grande do Sul. Ao revogar a Lei 7.672\/82, a nova legisla\u00e7\u00e3o eliminou as discrimina\u00e7\u00f5es de g\u00eanero e estabeleceu tratamento ison\u00f4mico entre c\u00f4njuges.<\/p>\n<h3>Tabela 1: Evolu\u00e7\u00e3o Legislativa do Tratamento do C\u00f4njuge Var\u00e3o no IPERGS<\/h3>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Per\u00edodo<\/th>\n<th>Norma<\/th>\n<th>Tratamento do Marido<\/th>\n<th>Situa\u00e7\u00e3o<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>1982-2011<\/td>\n<td>Lei 7.672\/82 (reda\u00e7\u00e3o original)<\/td>\n<td>Exigia invalidez + depend\u00eancia econ\u00f4mica<\/td>\n<td>Inconstitucional (STF)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2011-2018<\/td>\n<td>Lei 7.672\/82 (alterada pela Lei 13.889\/2011)<\/td>\n<td>Exigia comprova\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia econ\u00f4mica<\/td>\n<td>Inconstitucional (STF)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2018-atual<\/td>\n<td>LC 15.142\/2018<\/td>\n<td>Depend\u00eancia econ\u00f4mica presumida<\/td>\n<td>Constitucional<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h3>Principais avan\u00e7os<\/h3>\n<p>A LC 15.142\/2018 trouxe as seguintes mudan\u00e7as relevantes para o c\u00f4njuge var\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>Elimina\u00e7\u00e3o da exig\u00eancia de invalidez para o marido<\/li>\n<li>Presun\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia econ\u00f4mica igual para ambos os c\u00f4njuges<\/li>\n<li>Tratamento neutro quanto ao g\u00eanero em toda a legisla\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Reconhecimento expresso de uni\u00f5es homoafetivas<\/li>\n<\/ul>\n<p>A norma tamb\u00e9m adequou o regime estadual \u00e0s diretrizes constitucionais e \u00e0 jurisprud\u00eancia consolidada dos tribunais superiores, evitando a judicializa\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria de pedidos de pens\u00e3o por c\u00f4njuges do sexo masculino.<\/p>\n<\/section>\n<section id=\"requisitos-atuais\">\n<h2>Quais s\u00e3o os requisitos atuais para habilita\u00e7\u00e3o do c\u00f4njuge?<\/h2>\n<p>Os requisitos para habilita\u00e7\u00e3o do c\u00f4njuge \u00e0 pens\u00e3o por morte do IPERGS s\u00e3o id\u00eanticos para marido e esposa. O procedimento \u00e9 realizado junto ao\u00a0<a href=\"https:\/\/ipeprev.rs.gov.br\/carta-de-servicos\/servicos?servico=1100\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IPE Prev<\/a>, autarquia respons\u00e1vel pela gest\u00e3o do regime previdenci\u00e1rio estadual.<\/p>\n<h3>Requisitos objetivos<\/h3>\n<p>Para ter direito \u00e0 pens\u00e3o por morte, o c\u00f4njuge deve demonstrar:<\/p>\n<ul>\n<li>Qualidade de segurado do servidor falecido na data do \u00f3bito<\/li>\n<li>V\u00ednculo matrimonial vigente na data do falecimento<\/li>\n<li>Aus\u00eancia de causas de exclus\u00e3o previstas em lei<\/li>\n<\/ul>\n<h3>Documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria<\/h3>\n<p>O requerimento de habilita\u00e7\u00e3o deve ser instru\u00eddo com os seguintes documentos:<\/p>\n<ul>\n<li>Certid\u00e3o de \u00f3bito do servidor<\/li>\n<li>Certid\u00e3o de casamento atualizada (emitida ap\u00f3s o \u00f3bito)<\/li>\n<li>Documento de identifica\u00e7\u00e3o do requerente<\/li>\n<li>Comprovante de resid\u00eancia<\/li>\n<li>Declara\u00e7\u00e3o de recebimento de rendimentos<\/li>\n<li>Formul\u00e1rio de requerimento preenchido<\/li>\n<\/ul>\n<h3>Depend\u00eancia econ\u00f4mica presumida<\/h3>\n<p>A depend\u00eancia econ\u00f4mica do c\u00f4njuge \u00e9 presumida pela legisla\u00e7\u00e3o. O marido n\u00e3o precisa apresentar documentos comprovando que dependia financeiramente da servidora. A presun\u00e7\u00e3o \u00e9 absoluta, n\u00e3o admitindo prova em contr\u00e1rio pelo IPERGS.<\/p>\n<p>Essa presun\u00e7\u00e3o diferencia o c\u00f4njuge de outros dependentes, como pais e irm\u00e3os, que precisam comprovar efetiva depend\u00eancia econ\u00f4mica para terem direito ao benef\u00edcio. Para informa\u00e7\u00f5es sobre o \u00f4nus probat\u00f3rio em mat\u00e9ria previdenci\u00e1ria, consulte nosso artigo sobre\u00a0<a href=\"https:\/\/barbieriadvogados.com.br\/onus-da-prova\/\">\u00f4nus da prova<\/a>.<\/p>\n<\/section>\n<section id=\"duracao-pensao\">\n<h2>Qual a dura\u00e7\u00e3o da pens\u00e3o conforme a idade do c\u00f4njuge?<\/h2>\n<p>A LC 15.142\/2018 estabelece que a dura\u00e7\u00e3o da pens\u00e3o por morte para o c\u00f4njuge varia conforme a idade do benefici\u00e1rio na data do \u00f3bito do servidor. Essa regra aplica-se igualmente a marido e esposa, sem qualquer distin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Tabela 2: Dura\u00e7\u00e3o da Pens\u00e3o por Morte Conforme a Idade do C\u00f4njuge<\/h3>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Idade do c\u00f4njuge na data do \u00f3bito<\/th>\n<th>Dura\u00e7\u00e3o da pens\u00e3o<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Menos de 22 anos<\/td>\n<td>3 anos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Entre 22 e 27 anos<\/td>\n<td>6 anos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Entre 28 e 30 anos<\/td>\n<td>10 anos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Entre 31 e 41 anos<\/td>\n<td>15 anos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Entre 42 e 44 anos<\/td>\n<td>20 anos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>45 anos ou mais<\/td>\n<td>Vital\u00edcia<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h3>Exce\u00e7\u00f5es \u00e0 tabela<\/h3>\n<p>A pens\u00e3o ter\u00e1 dura\u00e7\u00e3o de apenas 4 meses se o \u00f3bito ocorrer sem que o servidor tenha vertido 18 contribui\u00e7\u00f5es mensais ou se o casamento tiver sido celebrado h\u00e1 menos de 2 anos antes do falecimento. Essas condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o se aplicam quando o \u00f3bito decorrer de acidente de qualquer natureza ou doen\u00e7a profissional.<\/p>\n<h3>C\u00f4njuge inv\u00e1lido ou com defici\u00eancia<\/h3>\n<p>Se o c\u00f4njuge for inv\u00e1lido ou portador de defici\u00eancia, a pens\u00e3o ser\u00e1 mantida enquanto perdurar essa condi\u00e7\u00e3o, independentemente dos prazos da tabela acima. A invalidez ou defici\u00eancia deve ser atestada por per\u00edcia m\u00e9dica oficial.<\/p>\n<\/section>\n<section id=\"obitos-anteriores\">\n<h2>Como fica a pens\u00e3o para \u00f3bitos anteriores a abril de 2018?<\/h2>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel \u00e0 pens\u00e3o por morte \u00e9 aquela vigente na data do \u00f3bito do servidor. Para falecimentos ocorridos antes de 6 de abril de 2018, aplica-se a Lei 7.672\/82, que exigia do marido a comprova\u00e7\u00e3o de invalidez e\/ou depend\u00eancia econ\u00f4mica.<\/p>\n<h3>Possibilidade de judicializa\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>O marido que teve seu pedido de pens\u00e3o negado administrativamente em raz\u00e3o das exig\u00eancias discriminat\u00f3rias da Lei 7.672\/82 pode buscar o reconhecimento de seu direito pela via judicial. A jurisprud\u00eancia do TJRS e do STF \u00e9 consolidada no sentido de afastar essas exig\u00eancias por viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da isonomia.<\/p>\n<p>O Tema 457 do STF tem efic\u00e1cia vinculante, o que significa que os ju\u00edzes e tribunais devem aplicar a tese fixada em todos os casos semelhantes. A decis\u00e3o retroage para alcan\u00e7ar situa\u00e7\u00f5es anteriores \u00e0 sua prola\u00e7\u00e3o, desde que n\u00e3o tenham sido atingidas pela prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Prescri\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>O prazo prescricional para requerer a pens\u00e3o por morte \u00e9 de 5 anos a partir do \u00f3bito do servidor. Transcorrido esse prazo sem requerimento administrativo ou judicial, o direito ao benef\u00edcio prescreve. Contudo, a prescri\u00e7\u00e3o n\u00e3o corre contra absolutamente incapazes.<\/p>\n<p>Para requerimentos apresentados em at\u00e9 90 dias do \u00f3bito, os valores s\u00e3o devidos desde a data do falecimento. Ap\u00f3s esse prazo, s\u00e3o devidos a partir da data do requerimento. Para informa\u00e7\u00f5es sobre outros procedimentos junto ao IPE Prev, consulte nosso artigo sobre\u00a0<a href=\"https:\/\/barbieriadvogados.com.br\/prova-de-vida-e-recadastramento-do-ipergs-guia-pratico-e-solucoes-juridicas\/\">prova de vida e recadastramento<\/a>.<\/p>\n<\/section>\n<section id=\"ipe-saude\">\n<h2>O marido pensionista tem direito ao IPE-Sa\u00fade?<\/h2>\n<p>Sim. O c\u00f4njuge que passa a receber pens\u00e3o por morte do IPERGS \u00e9 automaticamente inclu\u00eddo como benefici\u00e1rio do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ipesaude.rs.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IPE-Sa\u00fade<\/a>, o plano de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade dos servidores p\u00fablicos estaduais do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<h3>Condi\u00e7\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o de benefici\u00e1rio do IPE-Sa\u00fade \u00e9 mantida enquanto perdurar o recebimento da pens\u00e3o por morte. Se a pens\u00e3o for tempor\u00e1ria (conforme a tabela de dura\u00e7\u00e3o por idade), o direito ao plano de sa\u00fade cessa juntamente com o benef\u00edcio previdenci\u00e1rio.<\/p>\n<h3>Procedimento de inclus\u00e3o<\/h3>\n<p>A inclus\u00e3o no IPE-Sa\u00fade ocorre de forma autom\u00e1tica ap\u00f3s a concess\u00e3o da pens\u00e3o por morte. O pensionista n\u00e3o precisa realizar procedimento adicional para ser inclu\u00eddo no plano. O desconto da contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 realizado diretamente no valor do benef\u00edcio.<\/p>\n<p>Eventuais dependentes do pensionista (filhos, por exemplo) podem ser inclu\u00eddos no plano mediante requerimento espec\u00edfico ao IPE-Sa\u00fade, observadas as regras de elegibilidade e os limites de idade estabelecidos na legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/section>\n<section id=\"negativa-ipergs\">\n<h2>O que fazer se o IPERGS negar a pens\u00e3o ao marido?<\/h2>\n<p>A negativa administrativa de pens\u00e3o por morte ao c\u00f4njuge var\u00e3o, quando fundamentada em exig\u00eancias discriminat\u00f3rias da legisla\u00e7\u00e3o anterior, pode ser contestada tanto na esfera administrativa quanto judicial.<\/p>\n<h3>Recurso administrativo<\/h3>\n<p>O interessado pode interpor recurso administrativo ao Conselho de Administra\u00e7\u00e3o do IPE Prev. O recurso deve ser fundamentado na inconstitucionalidade da exig\u00eancia de invalidez ou depend\u00eancia econ\u00f4mica apenas para o marido, invocando o Tema 457 do STF.<\/p>\n<h3>A\u00e7\u00e3o judicial<\/h3>\n<p>Mantida a negativa administrativa, \u00e9 poss\u00edvel ingressar com a\u00e7\u00e3o judicial perante a Justi\u00e7a Estadual. A jurisprud\u00eancia do TJRS \u00e9 consolidada favoravelmente ao c\u00f4njuge var\u00e3o, aplicando a tese do Tema 457 do STF.<\/p>\n<p>Na a\u00e7\u00e3o judicial, al\u00e9m do reconhecimento do direito \u00e0 pens\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel pleitear os valores retroativos desde a data do \u00f3bito (se requerido administrativamente em at\u00e9 90 dias) ou desde o requerimento administrativo, acrescidos de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e juros de mora.<\/p>\n<h3>Honor\u00e1rios e custas<\/h3>\n<p>Em caso de proced\u00eancia da a\u00e7\u00e3o, o IPERGS ser\u00e1 condenado ao pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios e custas processuais. O autor pode requerer o benef\u00edcio da justi\u00e7a gratuita se n\u00e3o tiver condi\u00e7\u00f5es de arcar com as despesas do processo sem preju\u00edzo do sustento pr\u00f3prio ou familiar.<\/p>\n<p>Para informa\u00e7\u00f5es sobre situa\u00e7\u00f5es especiais de pens\u00e3o, consulte nosso artigo sobre\u00a0<a href=\"https:\/\/barbieriadvogados.com.br\/filho-invalido-e-pensao-vitalicia-do-ipergs-criterios-medicos-e-aspectos-jurisprudenciais\/\">pens\u00e3o para filho inv\u00e1lido<\/a>.<\/p>\n<\/section>\n<section id=\"perguntas-frequentes\">\n<h2>Perguntas Frequentes<\/h2>\n<h3>1) O marido tem direito \u00e0 pens\u00e3o por morte do IPERGS?<\/h3>\n<p>Sim. A LC 15.142\/2018 estabelece que o c\u00f4njuge, independentemente do sexo, \u00e9 dependente com presun\u00e7\u00e3o legal de depend\u00eancia econ\u00f4mica. O marido n\u00e3o precisa comprovar invalidez ou depend\u00eancia econ\u00f4mica para receber a pens\u00e3o. Basta apresentar certid\u00e3o de casamento demonstrando o v\u00ednculo matrimonial vigente na data do \u00f3bito.<\/p>\n<h3>2) O que \u00e9 o Tema 457 do STF?<\/h3>\n<p>O Tema 457 do STF fixou a tese de que \u00e9 inconstitucional exigir requisitos diferenciados para pens\u00e3o por morte em raz\u00e3o do sexo do benefici\u00e1rio. A decis\u00e3o foi proferida no RE 659.424, caso origin\u00e1rio do Rio Grande do Sul envolvendo o IPERGS, e tem efic\u00e1cia vinculante para todo o Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n<h3>3) A pens\u00e3o do marido \u00e9 vital\u00edcia?<\/h3>\n<p>Depende da idade do c\u00f4njuge na data do \u00f3bito. Se o marido tiver 45 anos ou mais, a pens\u00e3o \u00e9 vital\u00edcia. Para idades inferiores, a dura\u00e7\u00e3o varia de 3 a 20 anos conforme tabela prevista na LC 15.142\/2018. A regra \u00e9 id\u00eantica para marido e esposa.<\/p>\n<h3>4) Como era tratado o marido antes da LC 15.142\/2018?<\/h3>\n<p>Antes de abril de 2018, a Lei 7.672\/82 exigia que o marido comprovasse invalidez e depend\u00eancia econ\u00f4mica para receber pens\u00e3o. A esposa n\u00e3o tinha essa exig\u00eancia. O STF declarou essa diferencia\u00e7\u00e3o inconstitucional por violar o princ\u00edpio da isonomia entre homens e mulheres.<\/p>\n<h3>5) O marido pode requerer pens\u00e3o se a servidora faleceu antes de 2018?<\/h3>\n<p>Sim, mas ser\u00e1 necess\u00e1rio ingressar em ju\u00edzo para afastar a exig\u00eancia de invalidez e depend\u00eancia econ\u00f4mica prevista na Lei 7.672\/82. A jurisprud\u00eancia do TJRS e do STF \u00e9 favor\u00e1vel ao c\u00f4njuge var\u00e3o nesses casos, aplicando o Tema 457 da repercuss\u00e3o geral.<\/p>\n<h3>6) O marido pensionista tem direito ao IPE-Sa\u00fade?<\/h3>\n<p>Sim. O c\u00f4njuge pensionista, independentemente do sexo, \u00e9 automaticamente inclu\u00eddo como benefici\u00e1rio do IPE-Sa\u00fade, o plano de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade dos servidores estaduais do Rio Grande do Sul. A inclus\u00e3o ocorre junto com a concess\u00e3o da pens\u00e3o.<\/p>\n<h3>7) Qual o prazo para requerer a pens\u00e3o por morte?<\/h3>\n<p>O prazo prescricional para requerer a pens\u00e3o por morte \u00e9 de 5 anos a partir do \u00f3bito. Se requerida em at\u00e9 90 dias do falecimento, os valores s\u00e3o devidos desde a data do \u00f3bito. Ap\u00f3s esse prazo, s\u00e3o devidos a partir do requerimento administrativo.<\/p>\n<\/section>\n<section id=\"conclusao\">\n<h2>Conclus\u00e3o<\/h2>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o legislativa e jurisprudencial sobre o direito do marido \u00e0 pens\u00e3o por morte do IPERGS representa importante conquista na efetiva\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio constitucional da isonomia. A supera\u00e7\u00e3o do tratamento discriminat\u00f3rio da Lei 7.672\/82 veio tanto pela via judicial, com o Tema 457 do STF, quanto pela via legislativa, com a LC 15.142\/2018.<\/p>\n<p>Atualmente, o c\u00f4njuge var\u00e3o tem os mesmos direitos que a c\u00f4njuge mulher para fins de pens\u00e3o por morte. A depend\u00eancia econ\u00f4mica \u00e9 presumida, n\u00e3o havendo necessidade de comprovar invalidez ou qualquer outra condi\u00e7\u00e3o adicional. O procedimento de habilita\u00e7\u00e3o segue o rito padr\u00e3o junto ao IPE Prev.<\/p>\n<p>Para \u00f3bitos ocorridos antes de abril de 2018, o marido que teve seu pedido negado administrativamente pode buscar o reconhecimento de seu direito pela via judicial. A jurisprud\u00eancia \u00e9 consolidada e favor\u00e1vel, aplicando a tese vinculante do Tema 457 do STF.<\/p>\n<p>Cada situa\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria possui particularidades que merecem an\u00e1lise individualizada. A compreens\u00e3o adequada da legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel e dos precedentes jurisprudenciais \u00e9 fundamental para garantir a efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos do c\u00f4njuge sobrevivente.<\/p>\n<\/section>\n<aside><strong>Aviso Legal<\/strong><\/p>\n<p>Este artigo tem car\u00e1ter exclusivamente informativo e n\u00e3o substitui a consulta a um advogado especializado. As informa\u00e7\u00f5es aqui contidas refletem a legisla\u00e7\u00e3o vigente em fevereiro de 2026 e podem sofrer altera\u00e7\u00f5es. Para an\u00e1lise do seu caso espec\u00edfico, procure orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica profissional.<\/p>\n<\/aside>\n<footer>\u00a9 2026 Barbieri Advogados. Todos os direitos reservados.<\/p>\n<\/footer>\n<article><\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entenda a evolu\u00e7\u00e3o jurisprudencial e a aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da isonomia na habilita\u00e7\u00e3o do marido \u00e0 pens\u00e3o por morte no IPERGS, essencial para a previd\u00eancia estadual.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6250,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1650","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1650","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1650"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1650\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6250"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1650"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1650"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1650"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}