{"id":3609,"date":"2025-11-06T01:05:00","date_gmt":"2025-11-06T04:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.barbieriadvogados.com\/?p=3609"},"modified":"2025-11-06T01:05:00","modified_gmt":"2025-11-06T04:05:00","slug":"abono-pecuniario-de-ferias-conversao-e-calculo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/en\/abono-pecuniario-de-ferias-conversao-e-calculo\/","title":{"rendered":"Abono Pecuni\u00e1rio de F\u00e9rias: Convers\u00e3o e C\u00e1lculo"},"content":{"rendered":"<h1><strong>Abono Pecuni\u00e1rio de F\u00e9rias: Convers\u00e3o, C\u00e1lculo e Direitos<\/strong><\/h1>\n<h2><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>O abono pecuni\u00e1rio de f\u00e9rias, popularmente conhecido como &#8220;venda de f\u00e9rias&#8221;, constitui faculdade conferida ao empregado de converter um ter\u00e7o do per\u00edodo de f\u00e9rias a que tem direito em remunera\u00e7\u00e3o correspondente, recebendo em dinheiro o valor equivalente a dez dias de descanso e gozando efetivamente apenas vinte dias. Este instituto, disciplinado pelo artigo 143 da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho, representa importante mecanismo de autonomia do trabalhador na gest\u00e3o de seus direitos, permitindo-lhe optar pela percep\u00e7\u00e3o de recursos financeiros adicionais em detrimento de parte do per\u00edodo de afastamento do trabalho.<\/p>\n<p>A origem do abono pecuni\u00e1rio remonta ao Decreto-Lei 1.535, de 13 de abril de 1977, que pela primeira vez introduziu no ordenamento jur\u00eddico brasileiro a possibilidade de convers\u00e3o parcial das f\u00e9rias em pec\u00fania. Posteriormente, a Lei 7.304, de 9 de maio de 1985, aperfei\u00e7oou a disciplina do instituto, estabelecendo os contornos essenciais que foram mantidos pela Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho em sua reda\u00e7\u00e3o atual. Esta evolu\u00e7\u00e3o legislativa reflete o reconhecimento de que, embora o descanso anual constitua direito fundamental destinado \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o f\u00edsica e mental do trabalhador, a autonomia individual deve ser respeitada, possibilitando que o empregado avalie, segundo suas circunst\u00e2ncias pessoais e necessidades espec\u00edficas, a conveni\u00eancia de converter parte deste per\u00edodo em recursos financeiros.<\/p>\n<p>A finalidade prec\u00edpua do abono pecuni\u00e1rio consiste em proporcionar ao trabalhador maior flexibilidade na utiliza\u00e7\u00e3o de seu direito a f\u00e9rias, reconhecendo que diferentes empregados possuem necessidades diversas quanto ao equil\u00edbrio entre tempo de descanso e disponibilidade de recursos financeiros. Para alguns trabalhadores, especialmente aqueles com compromissos financeiros urgentes, projetos pessoais que demandam investimento, ou simplesmente prefer\u00eancia por per\u00edodos de descanso menos extensos, a possibilidade de receber valores adicionais mediante convers\u00e3o de dez dias de f\u00e9rias pode revelar-se mais vantajosa do que o gozo integral de trinta dias.<\/p>\n<p>Entretanto, o legislador estabeleceu limite expresso a esta convers\u00e3o, restringindo-a a um ter\u00e7o do per\u00edodo de f\u00e9rias, de modo a preservar per\u00edodo m\u00ednimo de descanso efetivo que assegure o cumprimento dos objetivos essenciais do instituto. Esta limita\u00e7\u00e3o fundamenta-se em considera\u00e7\u00f5es de ordem m\u00e9dica e social, reconhecendo que per\u00edodos de descanso inferiores a vinte dias poderiam comprometer a recupera\u00e7\u00e3o adequada das energias do trabalhador e a efetividade das finalidades protetivas das f\u00e9rias anuais remuneradas.<\/p>\n<p>A popularidade do abono pecuni\u00e1rio na pr\u00e1tica trabalhista brasileira \u00e9 not\u00e1vel, sendo amplamente utilizado por empregados de diversos setores econ\u00f4micos e n\u00edveis salariais. Pesquisas indicam que parcela expressiva dos trabalhadores opta pela convers\u00e3o de parte das f\u00e9rias em pec\u00fania, seja para refor\u00e7o do or\u00e7amento familiar, seja para financiamento de projetos espec\u00edficos, aquisi\u00e7\u00e3o de bens, ou simplesmente por prefer\u00eancia pessoal por per\u00edodos de descanso menos prolongados. Esta ampla utiliza\u00e7\u00e3o evidencia a import\u00e2ncia do instituto como mecanismo de adequa\u00e7\u00e3o do regime legal de f\u00e9rias \u00e0s diversas realidades e prefer\u00eancias individuais dos trabalhadores.<\/p>\n<p>O presente artigo examina detalhadamente o instituto do abono pecuni\u00e1rio de f\u00e9rias, analisando seu fundamento legal e natureza jur\u00eddica, os requisitos e procedimentos para seu exerc\u00edcio, os m\u00e9todos de c\u00e1lculo aplic\u00e1veis a diferentes situa\u00e7\u00f5es remunerat\u00f3rias, sua compatibilidade com o fracionamento de f\u00e9rias, o regime diferenciado aplic\u00e1vel \u00e0s f\u00e9rias coletivas, os aspectos tribut\u00e1rios e previdenci\u00e1rios relevantes, e as situa\u00e7\u00f5es especiais que suscitam d\u00favidas na pr\u00e1tica cotidiana. Nosso objetivo \u00e9 fornecer compreens\u00e3o t\u00e9cnica completa do instituto, possibilitando que tanto empregadores quanto empregados exer\u00e7am adequadamente seus direitos e obriga\u00e7\u00f5es relacionados ao abono pecuni\u00e1rio de f\u00e9rias.<\/p>\n<hr \/>\n<h2><strong>1. Fundamento Legal e Natureza Jur\u00eddica<\/strong><\/h2>\n<h3><strong>1.1. Artigo 143 da CLT<\/strong><\/h3>\n<p>O abono pecuni\u00e1rio de f\u00e9rias encontra disciplina legal no artigo 143 da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho, que estabelece: &#8220;\u00c9 facultado ao empregado converter 1\/3 (um ter\u00e7o) do per\u00edodo de f\u00e9rias a que tiver direito em abono pecuni\u00e1rio, no valor da remunera\u00e7\u00e3o que lhe seria devida nos dias correspondentes&#8221;. Este dispositivo consagra direito potestativo do empregado, caracterizado pela possibilidade de produzir efeitos jur\u00eddicos mediante manifesta\u00e7\u00e3o unilateral de vontade, independentemente de concord\u00e2ncia ou autoriza\u00e7\u00e3o do empregador.<\/p>\n<p>A express\u00e3o &#8220;\u00e9 facultado ao empregado&#8221; reveste-se de significa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica fundamental, evidenciando que a decis\u00e3o sobre converter ou n\u00e3o parte das f\u00e9rias em pec\u00fania pertence exclusivamente ao trabalhador. Trata-se de prerrogativa individual, exercida segundo crit\u00e9rios de conveni\u00eancia e oportunidade pessoais, que n\u00e3o pode ser objeto de imposi\u00e7\u00e3o patronal nem de veda\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria pelo empregador. O car\u00e1ter facultativo do abono pecuni\u00e1rio diferencia-o de outras parcelas trabalhistas de natureza obrigat\u00f3ria, conferindo ao empregado espa\u00e7o significativo de autonomia na gest\u00e3o de seus direitos.<\/p>\n<p>O limite de um ter\u00e7o do per\u00edodo de f\u00e9rias constitui elemento essencial do regime jur\u00eddico do abono pecuni\u00e1rio. Considerando-se que o empregado possui direito a trinta dias de f\u00e9rias anuais remuneradas, a convers\u00e3o de um ter\u00e7o corresponde a dez dias, restando vinte dias para gozo efetivo do descanso. Esta propor\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser ampliada, seja por vontade do empregado que deseje converter mais de um ter\u00e7o, seja por acordo entre as partes que estabele\u00e7a convers\u00e3o superior ao limite legal.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o desta limita\u00e7\u00e3o fundamenta-se na necessidade de preserva\u00e7\u00e3o de per\u00edodo m\u00ednimo de descanso efetivo que assegure o cumprimento dos objetivos protetivos do instituto das f\u00e9rias. A Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, atrav\u00e9s da Conven\u00e7\u00e3o 132, estabelece diretrizes sobre f\u00e9rias anuais remuneradas que reconhecem a essencialidade de per\u00edodos adequados de afastamento do trabalho para recupera\u00e7\u00e3o f\u00edsica e mental dos trabalhadores. O legislador brasileiro, ao permitir a convers\u00e3o parcial em pec\u00fania, estabeleceu equil\u00edbrio entre a autonomia individual do empregado e a prote\u00e7\u00e3o de sua sa\u00fade, vedando convers\u00f5es que reduzissem o per\u00edodo de descanso a patamares incompat\u00edveis com a efetividade do instituto.<\/p>\n<p>O par\u00e1grafo primeiro do artigo 143 determina que o abono pecuni\u00e1rio dever\u00e1 ser requerido at\u00e9 quinze dias antes do t\u00e9rmino do per\u00edodo aquisitivo. Este prazo possui natureza decadencial, significando que seu transcurso sem manifesta\u00e7\u00e3o do empregado implica perda da faculdade de convers\u00e3o naquele per\u00edodo aquisitivo espec\u00edfico. A ratio desta exig\u00eancia temporal reside na necessidade de possibilitar ao empregador adequado planejamento da concess\u00e3o das f\u00e9rias e dos valores a serem pagos, evitando solicita\u00e7\u00f5es intempestivas que possam comprometer a organiza\u00e7\u00e3o administrativa empresarial.<\/p>\n<p>O valor do abono pecuni\u00e1rio corresponde \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o que seria devida ao empregado nos dez dias convertidos, calculada segundo as mesmas regras aplic\u00e1veis \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o de f\u00e9rias. Tratando-se de empregado com sal\u00e1rio fixo, o c\u00e1lculo \u00e9 relativamente simples, correspondendo a um ter\u00e7o do sal\u00e1rio mensal acrescido do ter\u00e7o constitucional proporcional. Para empregados com remunera\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel, o c\u00e1lculo deve considerar as m\u00e9dias estabelecidas nos par\u00e1grafos do artigo 142 da CLT, conforme a modalidade de pagamento do sal\u00e1rio.<\/p>\n<h3><strong>1.2. Natureza Indenizat\u00f3ria<\/strong><\/h3>\n<p>O artigo 144 da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho estabelece, de forma expressa e inequ\u00edvoca, que o abono pecuni\u00e1rio de f\u00e9rias n\u00e3o integra a remunera\u00e7\u00e3o do empregado para os efeitos da legisla\u00e7\u00e3o do trabalho. Esta disposi\u00e7\u00e3o legal define a natureza jur\u00eddica do abono como parcela de car\u00e1ter indenizat\u00f3rio, e n\u00e3o salarial, com repercuss\u00f5es fundamentais sobre diversos aspectos do regime jur\u00eddico aplic\u00e1vel.<\/p>\n<p>A natureza indenizat\u00f3ria do abono pecuni\u00e1rio decorre de sua pr\u00f3pria ess\u00eancia: trata-se de compensa\u00e7\u00e3o financeira pela n\u00e3o frui\u00e7\u00e3o de dez dias de f\u00e9rias, constituindo indeniza\u00e7\u00e3o pela ren\u00fancia volunt\u00e1ria do empregado a parte de seu per\u00edodo de descanso. N\u00e3o se caracteriza como contrapresta\u00e7\u00e3o pelo trabalho prestado, n\u00e3o remunera servi\u00e7os executados, e n\u00e3o se vincula \u00e0 habitualidade ou \u00e0 onerosidade da rela\u00e7\u00e3o de emprego. Trata-se, essencialmente, de convers\u00e3o de direito ao descanso em direito pecuni\u00e1rio, mediante op\u00e7\u00e3o do trabalhador que avalia ser-lhe mais vantajosa a percep\u00e7\u00e3o de recursos financeiros adicionais do que o gozo integral de trinta dias de f\u00e9rias.<\/p>\n<p>Esta caracteriza\u00e7\u00e3o como parcela indenizat\u00f3ria produz consequ\u00eancias jur\u00eddicas de significativa relev\u00e2ncia. No \u00e2mbito previdenci\u00e1rio, o abono pecuni\u00e1rio n\u00e3o integra o sal\u00e1rio de contribui\u00e7\u00e3o para fins de incid\u00eancia de contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias. O artigo 28, par\u00e1grafo nono, al\u00ednea &#8220;e&#8221;, item 6, da Lei 8.212\/1991, com reda\u00e7\u00e3o conferida pela Lei 9.711\/1998, expressamente exclui da base de c\u00e1lculo do sal\u00e1rio de contribui\u00e7\u00e3o as import\u00e2ncias recebidas a t\u00edtulo de abono pecuni\u00e1rio de f\u00e9rias, em conson\u00e2ncia com a natureza n\u00e3o salarial da parcela.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito do imposto de renda, contudo, a Receita Federal do Brasil tradicionalmente considera o abono pecuni\u00e1rio como rendimento tribut\u00e1vel, sujeitando-o \u00e0 incid\u00eancia do imposto tanto na fonte quanto na declara\u00e7\u00e3o anual de ajuste. Esta posi\u00e7\u00e3o, embora possa parecer contradit\u00f3ria em face da natureza indenizat\u00f3ria reconhecida pela legisla\u00e7\u00e3o trabalhista e previdenci\u00e1ria, fundamenta-se na aus\u00eancia de previs\u00e3o legal expressa de isen\u00e7\u00e3o para esta parcela espec\u00edfica na legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p>O abono pecuni\u00e1rio n\u00e3o integra a base de c\u00e1lculo de outras verbas trabalhistas, em decorr\u00eancia de seu car\u00e1ter n\u00e3o salarial. N\u00e3o incide sobre d\u00e9cimo terceiro sal\u00e1rio, n\u00e3o integra o c\u00e1lculo de aviso pr\u00e9vio, n\u00e3o repercute sobre horas extras, adicionais ou qualquer outra parcela remunerat\u00f3ria. Tampouco integra a base de c\u00e1lculo do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o, considerando-se que os dep\u00f3sitos fundi\u00e1rios incidem sobre remunera\u00e7\u00e3o, conceito do qual o abono pecuni\u00e1rio est\u00e1 expressamente exclu\u00eddo.<\/p>\n<p>A natureza indenizat\u00f3ria do abono pecuni\u00e1rio preserva-se mesmo quando pago em contexto de rescis\u00e3o contratual. Empregado que j\u00e1 havia requerido a convers\u00e3o de um ter\u00e7o das f\u00e9rias em abono pecuni\u00e1rio, mas cujo contrato se extingue antes do gozo das f\u00e9rias, receber\u00e1 na rescis\u00e3o tanto o valor das f\u00e9rias vencidas quanto o abono pecuni\u00e1rio correspondente aos dez dias convertidos, mantendo ambas as parcelas sua natureza indenizat\u00f3ria e seus efeitos jur\u00eddicos espec\u00edficos.<\/p>\n<hr \/>\n<h2><strong>2. Requisitos e Procedimentos<\/strong><\/h2>\n<h3><strong>2.1. Direito Potestativo do Empregado<\/strong><\/h3>\n<p>O abono pecuni\u00e1rio de f\u00e9rias caracteriza-se como direito potestativo do empregado, categoria jur\u00eddica que se distingue pela possibilidade de seu titular produzir efeitos na esfera jur\u00eddica de outrem mediante simples manifesta\u00e7\u00e3o unilateral de vontade, independentemente de concord\u00e2ncia ou aquiesc\u00eancia da parte contr\u00e1ria. Esta natureza potestativa diferencia o abono pecuni\u00e1rio de direitos que dependem de negocia\u00e7\u00e3o bilateral ou de acordo entre empregado e empregador, conferindo ao trabalhador prerrogativa de decis\u00e3o exclusiva sobre a convers\u00e3o de parte das f\u00e9rias em pec\u00fania.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o sobre exercer ou n\u00e3o a faculdade de converter um ter\u00e7o das f\u00e9rias em abono pecuni\u00e1rio pertence exclusivamente ao empregado, que avaliar\u00e1 segundo seus crit\u00e9rios pessoais, suas necessidades financeiras, suas prefer\u00eancias quanto \u00e0 dura\u00e7\u00e3o do per\u00edodo de descanso, e quaisquer outros fatores relevantes para sua situa\u00e7\u00e3o individual. O empregador n\u00e3o possui legitimidade para impor ao trabalhador a convers\u00e3o de f\u00e9rias em abono pecuni\u00e1rio, ainda que alegue conveni\u00eancia organizacional, dificuldades operacionais para conceder f\u00e9rias de trinta dias, ou qualquer outro fundamento empresarial.<\/p>\n<p>Igualmente, o empregador n\u00e3o pode vedar ou recusar o exerc\u00edcio do direito ao abono pecuni\u00e1rio quando o empregado o requeira tempestivamente. A faculdade legal conferida ao trabalhador n\u00e3o se submete \u00e0 discricionariedade patronal, n\u00e3o dependendo de autoriza\u00e7\u00e3o, concord\u00e2ncia ou aprova\u00e7\u00e3o do empregador. Apresentado o requerimento dentro do prazo legal, o empregador encontra-se vinculado \u00e0 concess\u00e3o do abono pecuni\u00e1rio, devendo proceder aos c\u00e1lculos correspondentes e efetuar o pagamento juntamente com as f\u00e9rias.<\/p>\n<p>Veda\u00e7\u00f5es ou recusas injustificadas por parte do empregador configuram descumprimento de obriga\u00e7\u00e3o legal, sujeitando a empresa a questionamentos administrativos perante a fiscaliza\u00e7\u00e3o do trabalho e a eventual demanda judicial por parte do empregado prejudicado. A jurisprud\u00eancia trabalhista tem sido firme em reconhecer a ilegalidade de pr\u00e1ticas empresariais que, direta ou indiretamente, obstaculizem o exerc\u00edcio do direito ao abono pecuni\u00e1rio, seja mediante negativas expressas, seja atrav\u00e9s de procedimentos burocr\u00e1ticos excessivos que dificultem a manifesta\u00e7\u00e3o tempestiva do trabalhador.<\/p>\n<p>A autonomia do empregado na decis\u00e3o sobre o abono pecuni\u00e1rio n\u00e3o pode ser comprometida por press\u00f5es patronais, sugest\u00f5es veladas, ou qualquer forma de constrangimento que vicie sua manifesta\u00e7\u00e3o de vontade. Pr\u00e1ticas empresariais que condicionem benef\u00edcios, progress\u00f5es ou outras vantagens \u00e0 ren\u00fancia do direito ao abono pecuni\u00e1rio, ou que estabele\u00e7am tratamento diferenciado prejudicial aos empregados que optam pela convers\u00e3o, configuram irregularidades pass\u00edveis de responsabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>2.2. Prazo para Requerimento<\/strong><\/h3>\n<p>O artigo 143, par\u00e1grafo primeiro, da CLT estabelece que o abono pecuni\u00e1rio dever\u00e1 ser requerido at\u00e9 quinze dias antes do t\u00e9rmino do per\u00edodo aquisitivo. Este prazo possui natureza decadencial, o que significa que sua inobserv\u00e2ncia acarreta a extin\u00e7\u00e3o do direito potestativo, impedindo que o empregado exer\u00e7a a faculdade de convers\u00e3o relativamente \u00e0quele per\u00edodo aquisitivo espec\u00edfico.<\/p>\n<p>A contagem do prazo opera retroativamente a partir do t\u00e9rmino do per\u00edodo aquisitivo. Considerando-se empregado admitido em 10 de janeiro de 2024, que completar\u00e1 seu primeiro per\u00edodo aquisitivo em 9 de janeiro de 2025, o prazo para requerer o abono pecuni\u00e1rio estender-se-\u00e1 at\u00e9 25 de dezembro de 2024, ou seja, quinze dias antes de 9 de janeiro de 2025. Requerimentos apresentados ap\u00f3s esta data n\u00e3o produzir\u00e3o efeitos autom\u00e1ticos, dependendo de eventual concord\u00e2ncia do empregador para sua efic\u00e1cia.<\/p>\n<p>A natureza decadencial do prazo implica que seu transcurso opera de pleno direito, independentemente de qualquer manifesta\u00e7\u00e3o do empregador ou de provoca\u00e7\u00e3o judicial. Diferentemente da prescri\u00e7\u00e3o, que pode ser interrompida ou suspensa por eventos espec\u00edficos previstos em lei, o prazo decadencial flui inexoravelmente, n\u00e3o se sujeitando a causas interruptivas ou suspensivas. Uma vez ultrapassado o prazo de quinze dias antes do t\u00e9rmino do per\u00edodo aquisitivo sem que o empregado tenha manifestado sua op\u00e7\u00e3o pelo abono pecuni\u00e1rio, extingue-se definitivamente a faculdade relativamente \u00e0quele per\u00edodo espec\u00edfico.<\/p>\n<p>A perda do prazo n\u00e3o impede, contudo, que o empregador, por liberalidade ou mediante negocia\u00e7\u00e3o com o trabalhador, concorde com a convers\u00e3o mesmo ap\u00f3s transcorrido o prazo legal. Nesta hip\u00f3tese, a concess\u00e3o do abono pecuni\u00e1rio deixa de decorrer do exerc\u00edcio de direito potestativo do empregado, passando a caracterizar-se como acordo bilateral entre as partes. O empregador que concordar com convers\u00e3o intempestiva n\u00e3o estar\u00e1 cumprindo obriga\u00e7\u00e3o legal, mas exercendo faculdade que lhe \u00e9 pr\u00f3pria no \u00e2mbito de seu poder diretivo.<\/p>\n<p>A justificativa para o estabelecimento deste prazo reside na necessidade de possibilitar adequado planejamento empresarial. O empregador, ao tomar conhecimento da op\u00e7\u00e3o do empregado pela convers\u00e3o de parte das f\u00e9rias em abono pecuni\u00e1rio com anteced\u00eancia de quinze dias em rela\u00e7\u00e3o ao t\u00e9rmino do per\u00edodo aquisitivo, disp\u00f5e de tempo suficiente para ajustar seus controles administrativos, programar os valores a serem pagos, e organizar a concess\u00e3o das f\u00e9rias considerando que o empregado gozar\u00e1 apenas vinte dias efetivos.<\/p>\n<h3><strong>2.3. Formaliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Embora a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o estabele\u00e7a forma espec\u00edfica para o requerimento do abono pecuni\u00e1rio, a pr\u00e1tica recomend\u00e1vel e prudente consiste na formaliza\u00e7\u00e3o por escrito da manifesta\u00e7\u00e3o do empregado. A documenta\u00e7\u00e3o adequada previne controv\u00e9rsias futuras sobre a exist\u00eancia ou n\u00e3o do requerimento, sobre sua tempestividade, e sobre o efetivo conhecimento do empregador quanto \u00e0 op\u00e7\u00e3o do trabalhador pela convers\u00e3o.<\/p>\n<p>O requerimento escrito deve ser claro e preciso quanto \u00e0 inten\u00e7\u00e3o do empregado de converter um ter\u00e7o das f\u00e9rias correspondentes a determinado per\u00edodo aquisitivo em abono pecuni\u00e1rio. Recomenda-se a especifica\u00e7\u00e3o do per\u00edodo aquisitivo a que se refere o requerimento, evitando ambiguidades que possam gerar d\u00favidas interpretativas. Empregado que possui m\u00faltiplos per\u00edodos aquisitivos completos deve indicar expressamente a qual deles se refere a solicita\u00e7\u00e3o de convers\u00e3o, considerando-se que a op\u00e7\u00e3o pelo abono pecuni\u00e1rio deve ser exercida individualmente em rela\u00e7\u00e3o a cada per\u00edodo.<\/p>\n<p>O recibo de entrega do requerimento ao empregador constitui prova essencial da tempestividade da manifesta\u00e7\u00e3o. O empregado deve solicitar que o empregador ou seu preposto respons\u00e1vel pelo recebimento do documento ap\u00f5e data e assinatura, comprovando o recebimento dentro do prazo legal. Alternativamente, o requerimento pode ser protocolado no setor de recursos humanos ou de pessoal da empresa, obtendo-se comprovante numerado que ateste a data de apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A comprova\u00e7\u00e3o documental mostra-se indispens\u00e1vel especialmente em eventual necessidade de questionamento judicial. Empregado que requeira o abono pecuni\u00e1rio tempestivamente, mas n\u00e3o obtenha sua concess\u00e3o por parte do empregador, necessitar\u00e1 demonstrar em ju\u00edzo tanto a exist\u00eancia do requerimento quanto sua apresenta\u00e7\u00e3o dentro do prazo decadencial. A aus\u00eancia de documenta\u00e7\u00e3o adequada pode inviabilizar o reconhecimento judicial do direito, considerando-se que incumbe ao trabalhador o \u00f4nus probat\u00f3rio quanto ao exerc\u00edcio tempestivo da faculdade legal.<\/p>\n<p>Empregadores que adotam boas pr\u00e1ticas de gest\u00e3o de pessoas frequentemente disponibilizam formul\u00e1rios padronizados para requerimento de abono pecuni\u00e1rio, facilitando a manifesta\u00e7\u00e3o dos empregados e assegurando uniformidade na documenta\u00e7\u00e3o. Estes formul\u00e1rios devem conter campos para identifica\u00e7\u00e3o do empregado, especifica\u00e7\u00e3o do per\u00edodo aquisitivo a que se refere o requerimento, data de apresenta\u00e7\u00e3o, e espa\u00e7o para assinatura tanto do trabalhador quanto do respons\u00e1vel pelo recebimento. A elabora\u00e7\u00e3o em duas vias, uma para o empregador e outra para o empregado, constitui procedimento recomend\u00e1vel que proporciona seguran\u00e7a documental a ambas as partes.<\/p>\n<hr \/>\n<h2><strong>3. C\u00e1lculo do Abono Pecuni\u00e1rio<\/strong><\/h2>\n<h3><strong>3.1. Base de C\u00e1lculo<\/strong><\/h3>\n<p>O c\u00e1lculo do abono pecuni\u00e1rio de f\u00e9rias segue metodologia espec\u00edfica que considera tanto a remunera\u00e7\u00e3o do empregado quanto o ter\u00e7o constitucional incidente sobre as f\u00e9rias. A base de c\u00e1lculo n\u00e3o corresponde simplesmente a um ter\u00e7o do sal\u00e1rio mensal, mas sim a um ter\u00e7o do valor total das f\u00e9rias j\u00e1 acrescidas do adicional constitucional de um ter\u00e7o previsto no inciso XVII do artigo 7\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n<p>A f\u00f3rmula de c\u00e1lculo estrutura-se da seguinte forma: divide-se por tr\u00eas o valor que o empregado receberia a t\u00edtulo de f\u00e9rias completas (trinta dias) acrescidas do ter\u00e7o constitucional. Matematicamente, a equa\u00e7\u00e3o pode ser expressa como: Abono Pecuni\u00e1rio = (Remunera\u00e7\u00e3o de F\u00e9rias + Ter\u00e7o Constitucional) \u00f7 3. Esta f\u00f3rmula assegura que o empregado receba, em dinheiro, exatamente o equivalente ao que receberia se gozasse os dez dias convertidos, incluindo a proporcionalidade do ter\u00e7o constitucional sobre estes dias.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental compreender que o ter\u00e7o constitucional incide sobre a totalidade das f\u00e9rias, n\u00e3o apenas sobre a parte efetivamente gozada. Assim, o empregado que converte um ter\u00e7o das f\u00e9rias em abono pecuni\u00e1rio recebe: o valor correspondente aos dez dias convertidos, acrescido do ter\u00e7o constitucional proporcional a estes dez dias, mais o valor correspondente aos vinte dias que efetivamente gozar\u00e1, tamb\u00e9m acrescido do ter\u00e7o constitucional proporcional a estes vinte dias. O montante total equivale exatamente ao que o empregado receberia se gozasse integralmente os trinta dias de f\u00e9rias com o ter\u00e7o constitucional.<\/p>\n<h3><strong>3.2. Exemplos Pr\u00e1ticos<\/strong><\/h3>\n<h4><strong>Exemplo 1 &#8211; Sal\u00e1rio Fixo<\/strong><\/h4>\n<p>Consideremos empregado com sal\u00e1rio mensal fixo de tr\u00eas mil reais que opta por converter um ter\u00e7o de suas f\u00e9rias em abono pecuni\u00e1rio. O c\u00e1lculo procede-se da seguinte forma:<\/p>\n<p><strong>Passo 1:<\/strong> Calcular o valor total das f\u00e9rias com ter\u00e7o constitucional:<\/p>\n<ul class=\"tight\" data-tight=\"true\">\n<li>Remunera\u00e7\u00e3o de f\u00e9rias (30 dias): R$ 3.000,00<\/li>\n<li>Ter\u00e7o constitucional: R$ 1.000,00<\/li>\n<li>Total: R$ 4.000,00<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Passo 2:<\/strong> Calcular o abono pecuni\u00e1rio (1\/3 do total):<\/p>\n<ul class=\"tight\" data-tight=\"true\">\n<li>Abono pecuni\u00e1rio: R$ 4.000,00 \u00f7 3 = R$ 1.333,33<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Passo 3:<\/strong> Calcular o valor das f\u00e9rias efetivamente gozadas (20 dias):<\/p>\n<ul class=\"tight\" data-tight=\"true\">\n<li>Remunera\u00e7\u00e3o de 20 dias: R$ 2.000,00<\/li>\n<li>Ter\u00e7o constitucional sobre 20 dias: R$ 666,67<\/li>\n<li>Total de f\u00e9rias efetivas: R$ 2.666,67<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Resultado final:<\/strong><\/p>\n<ul class=\"tight\" data-tight=\"true\">\n<li>Abono pecuni\u00e1rio (10 dias convertidos): R$ 1.333,33<\/li>\n<li>F\u00e9rias efetivas (20 dias de gozo): R$ 2.666,67<\/li>\n<li>Total recebido: R$ 4.000,00<\/li>\n<li>Dias efetivamente gozados: 20 dias<\/li>\n<\/ul>\n<p>Observe-se que o montante total recebido pelo empregado (R$ 4.000,00) equivale exatamente ao que receberia se gozasse integralmente os trinta dias, demonstrando que a convers\u00e3o n\u00e3o gera preju\u00edzo financeiro ao trabalhador, apenas substitui dez dias de descanso por sua equival\u00eancia pecuni\u00e1ria.<\/p>\n<h4><strong>Exemplo 2 &#8211; Sal\u00e1rio Vari\u00e1vel (Comissionista)<\/strong><\/h4>\n<p>Consideremos empregado comissionista cuja m\u00e9dia de remunera\u00e7\u00e3o no per\u00edodo aquisitivo corresponde a quatro mil e quinhentos reais mensais. A apura\u00e7\u00e3o desta m\u00e9dia observa as regras do artigo 142, par\u00e1grafo terceiro, da CLT, que determina o c\u00e1lculo da m\u00e9dia dos valores percebidos nos doze meses do per\u00edodo aquisitivo.<\/p>\n<p><strong>Passo 1:<\/strong> Calcular o valor total das f\u00e9rias com ter\u00e7o constitucional:<\/p>\n<ul class=\"tight\" data-tight=\"true\">\n<li>Remunera\u00e7\u00e3o de f\u00e9rias (m\u00e9dia): R$ 4.500,00<\/li>\n<li>Ter\u00e7o constitucional: R$ 1.500,00<\/li>\n<li>Total: R$ 6.000,00<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Passo 2:<\/strong> Calcular o abono pecuni\u00e1rio (1\/3 do total):<\/p>\n<ul class=\"tight\" data-tight=\"true\">\n<li>Abono pecuni\u00e1rio: R$ 6.000,00 \u00f7 3 = R$ 2.000,00<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Passo 3:<\/strong> Calcular o valor das f\u00e9rias efetivamente gozadas (20 dias):<\/p>\n<ul class=\"tight\" data-tight=\"true\">\n<li>Remunera\u00e7\u00e3o de 20 dias: R$ 3.000,00<\/li>\n<li>Ter\u00e7o constitucional sobre 20 dias: R$ 1.000,00<\/li>\n<li>Total de f\u00e9rias efetivas: R$ 4.000,00<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Resultado final:<\/strong><\/p>\n<ul class=\"tight\" data-tight=\"true\">\n<li>Abono pecuni\u00e1rio (10 dias convertidos): R$ 2.000,00<\/li>\n<li>F\u00e9rias efetivas (20 dias de gozo): R$ 4.000,00<\/li>\n<li>Total recebido: R$ 6.000,00<\/li>\n<li>Dias efetivamente gozados: 20 dias<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Exemplo 3 &#8211; Sal\u00e1rio com Adicionais Habituais<\/strong><\/h4>\n<p>Consideremos empregado que recebe sal\u00e1rio base de dois mil reais mensais, adicional de insalubridade de quatrocentos reais, e realiza habitualmente duas horas extras mensais que totalizam, em m\u00e9dia, trezentos reais. A remunera\u00e7\u00e3o considerada para fins de f\u00e9rias ser\u00e1 a soma de todas estas parcelas.<\/p>\n<p><strong>Passo 1:<\/strong> Calcular a remunera\u00e7\u00e3o total para fins de f\u00e9rias:<\/p>\n<ul class=\"tight\" data-tight=\"true\">\n<li>Sal\u00e1rio base: R$ 2.000,00<\/li>\n<li>Adicional de insalubridade: R$ 400,00<\/li>\n<li>M\u00e9dia de horas extras habituais: R$ 300,00<\/li>\n<li>Remunera\u00e7\u00e3o total: R$ 2.700,00<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Passo 2:<\/strong> Calcular o valor total das f\u00e9rias com ter\u00e7o constitucional:<\/p>\n<ul class=\"tight\" data-tight=\"true\">\n<li>Remunera\u00e7\u00e3o de f\u00e9rias: R$ 2.700,00<\/li>\n<li>Ter\u00e7o constitucional: R$ 900,00<\/li>\n<li>Total: R$ 3.600,00<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Passo 3:<\/strong> Calcular o abono pecuni\u00e1rio (1\/3 do total):<\/p>\n<ul class=\"tight\" data-tight=\"true\">\n<li>Abono pecuni\u00e1rio: R$ 3.600,00 \u00f7 3 = R$ 1.200,00<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Passo 4:<\/strong> Calcular o valor das f\u00e9rias efetivamente gozadas (20 dias):<\/p>\n<ul class=\"tight\" data-tight=\"true\">\n<li>Remunera\u00e7\u00e3o de 20 dias: R$ 1.800,00<\/li>\n<li>Ter\u00e7o constitucional sobre 20 dias: R$ 600,00<\/li>\n<li>Total de f\u00e9rias efetivas: R$ 2.400,00<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Resultado final:<\/strong><\/p>\n<ul class=\"tight\" data-tight=\"true\">\n<li>Abono pecuni\u00e1rio (10 dias convertidos): R$ 1.200,00<\/li>\n<li>F\u00e9rias efetivas (20 dias de gozo): R$ 2.400,00<\/li>\n<li>Total recebido: R$ 3.600,00<\/li>\n<li>Dias efetivamente gozados: 20 dias<\/li>\n<\/ul>\n<h3><strong>3.3. Pagamento<\/strong><\/h3>\n<p>O pagamento do abono pecuni\u00e1rio deve ser efetuado at\u00e9 dois dias antes do in\u00edcio das f\u00e9rias, conforme determina o artigo 145 da CLT. Este prazo aplica-se uniformemente tanto \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o de f\u00e9rias quanto ao ter\u00e7o constitucional e ao abono pecuni\u00e1rio, devendo todas estas parcelas serem pagas conjuntamente no mesmo ato.<\/p>\n<p>O pagamento antecipado possui fun\u00e7\u00e3o essencial no instituto das f\u00e9rias, possibilitando que o empregado disponha de recursos financeiros para usufruir adequadamente do per\u00edodo de descanso. Quando h\u00e1 abono pecuni\u00e1rio, esta fun\u00e7\u00e3o ganha relev\u00e2ncia ainda maior, considerando-se que o trabalhador optou pela convers\u00e3o justamente por necessitar ou preferir dispor de recursos adicionais, presumivelmente para utiliza\u00e7\u00e3o durante as f\u00e9rias ou para outras finalidades espec\u00edficas.<\/p>\n<p>A discrimina\u00e7\u00e3o adequada no recibo de pagamento constitui obriga\u00e7\u00e3o formal do empregador e direito do empregado. O recibo deve especificar separadamente: o valor da remunera\u00e7\u00e3o correspondente aos vinte dias de f\u00e9rias efetivamente gozados, o ter\u00e7o constitucional incidente sobre estes vinte dias, e o abono pecuni\u00e1rio correspondente aos dez dias convertidos. Esta discrimina\u00e7\u00e3o permite verifica\u00e7\u00e3o clara dos c\u00e1lculos realizados e proporciona transpar\u00eancia quanto \u00e0 composi\u00e7\u00e3o dos valores pagos.<\/p>\n<p>Quanto aos dias efetivamente gozados, o empregado que converte um ter\u00e7o das f\u00e9rias em abono pecuni\u00e1rio afastar-se-\u00e1 do trabalho por vinte dias corridos. O per\u00edodo de afastamento inicia-se na data comunicada pelo empregador nos termos do artigo 135 da CLT, com anteced\u00eancia m\u00ednima de trinta dias, e estende-se por vinte dias consecutivos, ao t\u00e9rmino dos quais o trabalhador retorna \u00e0s suas atividades normais. Os dez dias convertidos em abono pecuni\u00e1rio n\u00e3o correspondem a per\u00edodo de afastamento, sendo integralmente substitu\u00eddos pela compensa\u00e7\u00e3o financeira correspondente.<\/p>\n<hr \/>\n<h2><strong>4. Compatibilidade com Fracionamento<\/strong><\/h2>\n<h3><strong>4.1. Abono e F\u00e9rias Fracionadas<\/strong><\/h3>\n<p>A possibilidade de convers\u00e3o de um ter\u00e7o das f\u00e9rias em abono pecuni\u00e1rio mostra-se plenamente compat\u00edvel com o fracionamento das f\u00e9rias introduzido pela Lei 13.467\/2017, que permite a divis\u00e3o do per\u00edodo de descanso em at\u00e9 tr\u00eas per\u00edodos. Esta compatibilidade decorre da natureza distinta dos dois institutos: enquanto o fracionamento refere-se \u00e0 forma de distribui\u00e7\u00e3o temporal do gozo das f\u00e9rias, o abono pecuni\u00e1rio relaciona-se \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o de parte do per\u00edodo de descanso por compensa\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<p>Empregado que opta pela convers\u00e3o de um ter\u00e7o das f\u00e9rias em abono pecuni\u00e1rio gozar\u00e1 efetivamente vinte dias de descanso, que poder\u00e3o ser divididos conforme as regras de fracionamento estabelecidas no artigo 134 da CLT. Estes vinte dias sujeitam-se integralmente ao regime de fracionamento aplic\u00e1vel \u00e0s f\u00e9rias individuais, devendo observar os requisitos de per\u00edodo m\u00ednimo de quatorze dias corridos para uma das fra\u00e7\u00f5es, cinco dias corridos para as demais, e veda\u00e7\u00e3o de in\u00edcio no per\u00edodo de dois dias que antecede feriado ou dia de repouso semanal remunerado.<\/p>\n<p>As combina\u00e7\u00f5es poss\u00edveis dos vinte dias de gozo efetivo com o fracionamento s\u00e3o diversas, sempre respeitados os limites legais. O empregado pode optar por gozar quatorze dias em um per\u00edodo e seis dias em outro, distribuindo seu descanso em dois momentos distintos do ano. Alternativamente, pode fracionar em tr\u00eas per\u00edodos, por exemplo: quatorze dias, tr\u00eas dias e tr\u00eas dias, ou quatorze dias, quatro dias e dois dias, ou ainda quatorze dias, cinco dias e um dia. A \u00fanica restri\u00e7\u00e3o consiste na observ\u00e2ncia do per\u00edodo m\u00ednimo de quatorze dias corridos para uma das fra\u00e7\u00f5es, devendo os demais per\u00edodos observar o m\u00ednimo de cinco dias corridos cada um.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o sobre o fracionamento dos vinte dias efetivos deve ser precedida de concord\u00e2ncia do empregado, nos termos do artigo 134, caput, da CLT. Assim, o trabalhador manifesta duas op\u00e7\u00f5es distintas: primeiro, exerce seu direito potestativo de converter um ter\u00e7o das f\u00e9rias em abono pecuni\u00e1rio; segundo, caso o empregador proponha fracionamento dos vinte dias restantes, manifesta sua concord\u00e2ncia ou discord\u00e2ncia quanto \u00e0 divis\u00e3o proposta. S\u00e3o decis\u00f5es aut\u00f4nomas, que podem ser exercidas de forma independente.<\/p>\n<p>Exemplo pr\u00e1tico elucida a aplica\u00e7\u00e3o conjunta dos institutos: empregado que opta pelo abono pecuni\u00e1rio e concorda com o fracionamento de suas f\u00e9rias em dois per\u00edodos pode gozar quatorze dias em dezembro, retornar ao trabalho, e posteriormente gozar seis dias em julho. Durante todo o ano, ter\u00e1 usufru\u00eddo de vinte dias efetivos de descanso, distribu\u00eddos em dois per\u00edodos conforme sua conveni\u00eancia e a do empregador, al\u00e9m de haver recebido o abono pecuni\u00e1rio correspondente aos dez dias convertidos.<\/p>\n<h3><strong>4.2. C\u00e1lculo com Fracionamento<\/strong><\/h3>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o entre abono pecuni\u00e1rio e fracionamento de f\u00e9rias n\u00e3o altera a metodologia de c\u00e1lculo das parcelas devidas ao empregado. O abono pecuni\u00e1rio mant\u00e9m seu valor correspondente a um ter\u00e7o das f\u00e9rias totais acrescidas do ter\u00e7o constitucional, independentemente de os vinte dias efetivamente gozados serem fru\u00eddos de forma cont\u00ednua ou fracionada.<\/p>\n<p>O ter\u00e7o constitucional incide sobre a integralidade das f\u00e9rias, seja qual for a forma de sua frui\u00e7\u00e3o. Empregado que converte um ter\u00e7o em abono pecuni\u00e1rio e fracionar\u00e1 os vinte dias restantes receber\u00e1 o ter\u00e7o constitucional calculado sobre os trinta dias completos, sendo este valor automaticamente distribu\u00eddo na propor\u00e7\u00e3o adequada entre o abono pecuni\u00e1rio e cada um dos per\u00edodos de gozo efetivo.<\/p>\n<p>Consideremos exemplo num\u00e9rico para melhor compreens\u00e3o. Empregado com sal\u00e1rio de tr\u00eas mil reais opta pelo abono pecuni\u00e1rio e pelo fracionamento de suas f\u00e9rias em dois per\u00edodos: quatorze dias em dezembro e seis dias em julho. O c\u00e1lculo procede-se da seguinte forma:<\/p>\n<p><strong>C\u00e1lculo do abono pecuni\u00e1rio:<\/strong><\/p>\n<ul class=\"tight\" data-tight=\"true\">\n<li>Remunera\u00e7\u00e3o total de f\u00e9rias: R$ 3.000,00<\/li>\n<li>Ter\u00e7o constitucional: R$ 1.000,00<\/li>\n<li>Total: R$ 4.000,00<\/li>\n<li>Abono pecuni\u00e1rio (1\/3): R$ 1.333,33<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>C\u00e1lculo do primeiro per\u00edodo (14 dias em dezembro):<\/strong><\/p>\n<ul class=\"tight\" data-tight=\"true\">\n<li>Remunera\u00e7\u00e3o proporcional a 14 dias: R$ 1.400,00<\/li>\n<li>Ter\u00e7o constitucional proporcional: R$ 466,67<\/li>\n<li>Total do primeiro per\u00edodo: R$ 1.866,67<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>C\u00e1lculo do segundo per\u00edodo (6 dias em julho):<\/strong><\/p>\n<ul class=\"tight\" data-tight=\"true\">\n<li>Remunera\u00e7\u00e3o proporcional a 6 dias: R$ 600,00<\/li>\n<li>Ter\u00e7o constitucional proporcional: R$ 200,00<\/li>\n<li>Total do segundo per\u00edodo: R$ 800,00<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Verifica\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<ul class=\"tight\" data-tight=\"true\">\n<li>Abono pecuni\u00e1rio: R$ 1.333,33<\/li>\n<li>Primeiro per\u00edodo: R$ 1.866,67<\/li>\n<li>Segundo per\u00edodo: R$ 800,00<\/li>\n<li>Total geral: R$ 4.000,00<\/li>\n<\/ul>\n<p>Observe-se que o total recebido pelo empregado ao longo do ano (R$ 4.000,00) equivale exatamente ao que receberia se gozasse trinta dias corridos sem abono pecuni\u00e1rio e sem fracionamento, demonstrando a manuten\u00e7\u00e3o da proporcionalidade e a aus\u00eancia de preju\u00edzo financeiro decorrente da combina\u00e7\u00e3o dos institutos.<\/p>\n<p>O pagamento de cada fra\u00e7\u00e3o das f\u00e9rias deve observar o prazo de dois dias antes do in\u00edcio de cada per\u00edodo, conforme determina o artigo 145 da CLT. Assim, o empregador efetuar\u00e1 pagamento do abono pecuni\u00e1rio juntamente com o primeiro per\u00edodo de f\u00e9rias, dois dias antes do in\u00edcio deste per\u00edodo. O segundo per\u00edodo ser\u00e1 pago isoladamente, tamb\u00e9m com dois dias de anteced\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao seu in\u00edcio. Esta sistem\u00e1tica proporciona ao empregado a disponibilidade financeira adequada em cada momento de seu descanso.<\/p>\n<hr \/>\n<h2><strong>5. Abono Pecuni\u00e1rio em F\u00e9rias Coletivas<\/strong><\/h2>\n<h3><strong>5.1. Regime Diferenciado<\/strong><\/h3>\n<p>O abono pecuni\u00e1rio nas f\u00e9rias coletivas submete-se a regime jur\u00eddico substancialmente diverso daquele aplic\u00e1vel \u00e0s f\u00e9rias individuais, em raz\u00e3o da natureza coletiva da decis\u00e3o empresarial e da necessidade de prote\u00e7\u00e3o uniforme dos interesses da categoria profissional. O artigo 143, par\u00e1grafo segundo, da CLT estabelece que, em se tratando de f\u00e9rias coletivas, a convers\u00e3o de um ter\u00e7o do per\u00edodo em abono pecuni\u00e1rio somente poder\u00e1 ser objeto de acordo coletivo entre o empregador e o sindicato representativo da respectiva categoria profissional, mediante cl\u00e1usula expressa na conven\u00e7\u00e3o coletiva ou no acordo coletivo de trabalho.<\/p>\n<p>Esta exig\u00eancia de negocia\u00e7\u00e3o coletiva para viabilizar o abono pecuni\u00e1rio em f\u00e9rias coletivas fundamenta-se em raz\u00f5es de ordem pr\u00e1tica e na prote\u00e7\u00e3o dos interesses coletivos dos trabalhadores. Enquanto nas f\u00e9rias individuais cada empregado pode avaliar suas circunst\u00e2ncias pessoais e decidir autonomamente pela convers\u00e3o, nas f\u00e9rias coletivas a decis\u00e3o afeta simultaneamente m\u00faltiplos trabalhadores, justificando a participa\u00e7\u00e3o da entidade sindical representativa na delibera\u00e7\u00e3o sobre a mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>O regime diferenciado impede tanto a convers\u00e3o individual quanto a decis\u00e3o unilateral do empregador. Empregado espec\u00edfico n\u00e3o pode, isoladamente, requerer a convers\u00e3o de um ter\u00e7o das f\u00e9rias coletivas em abono pecuni\u00e1rio, ainda que apresente requerimento tempestivo e demonstre interesse pessoal na percep\u00e7\u00e3o de recursos adicionais. Inversamente, o empregador n\u00e3o pode determinar unilateralmente a convers\u00e3o, impondo aos trabalhadores o recebimento de abono pecuni\u00e1rio independentemente de suas prefer\u00eancias individuais.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de acordo coletivo autorizando a convers\u00e3o implica que todos os empregados abrangidos pelas f\u00e9rias coletivas gozar\u00e3o integralmente o per\u00edodo determinado pelo empregador, sem possibilidade de convers\u00e3o parcial em pec\u00fania. Reciprocamente, a exist\u00eancia de cl\u00e1usula coletiva autorizando o abono pecuni\u00e1rio determinar\u00e1 sua aplica\u00e7\u00e3o uniforme a todos os trabalhadores da categoria, sem margem para op\u00e7\u00f5es individuais diferenciadas.<\/p>\n<h3><strong>5.2. Negocia\u00e7\u00e3o Coletiva<\/strong><\/h3>\n<p>A negocia\u00e7\u00e3o coletiva sobre abono pecuni\u00e1rio em f\u00e9rias coletivas constitui atribui\u00e7\u00e3o do sindicato representativo da categoria profissional, que atuar\u00e1 na defesa dos interesses coletivos dos trabalhadores. O empregador que pretenda conceder f\u00e9rias coletivas com convers\u00e3o de um ter\u00e7o em abono pecuni\u00e1rio dever\u00e1 abordar a mat\u00e9ria nas tratativas com a entidade sindical, propondo a inclus\u00e3o de cl\u00e1usula espec\u00edfica no instrumento coletivo que discipline a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>A cl\u00e1usula coletiva que autorize o abono pecuni\u00e1rio em f\u00e9rias coletivas deve ser expressa e espec\u00edfica, n\u00e3o se admitindo interpreta\u00e7\u00f5es extensivas ou anal\u00f3gicas. Recomenda-se que a reda\u00e7\u00e3o da cl\u00e1usula especifique claramente a autoriza\u00e7\u00e3o para convers\u00e3o de um ter\u00e7o das f\u00e9rias coletivas em abono pecuni\u00e1rio, estabele\u00e7a os procedimentos administrativos aplic\u00e1veis, e esclare\u00e7a os crit\u00e9rios de c\u00e1lculo a serem observados pelo empregador.<\/p>\n<p>O instrumento adequado para esta negocia\u00e7\u00e3o pode ser tanto a conven\u00e7\u00e3o coletiva de trabalho, que estabelece normas aplic\u00e1veis a toda a categoria profissional em determinada base territorial, quanto o acordo coletivo de trabalho, que regula especificamente as rela\u00e7\u00f5es entre determinada empresa e o sindicato representativo de seus empregados. A escolha entre uma ou outra modalidade depender\u00e1 das circunst\u00e2ncias concretas e da estrat\u00e9gia negocial adotada pelas partes.<\/p>\n<p>A negocia\u00e7\u00e3o sobre abono pecuni\u00e1rio em f\u00e9rias coletivas frequentemente insere-se em contexto mais amplo de tratativas sobre diversos aspectos das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, podendo constituir elemento de composi\u00e7\u00e3o em negocia\u00e7\u00f5es que envolvam m\u00faltiplas reivindica\u00e7\u00f5es e contrapropostas. O sindicato pode aceitar a inclus\u00e3o de cl\u00e1usula autorizadora do abono pecuni\u00e1rio em troca de outras concess\u00f5es patronais, ou pode resistir a esta previs\u00e3o quando entender que a convers\u00e3o n\u00e3o atende aos interesses da categoria.<\/p>\n<h3><strong>5.3. Consequ\u00eancias Pr\u00e1ticas<\/strong><\/h3>\n<p>A exist\u00eancia de cl\u00e1usula coletiva autorizando o abono pecuni\u00e1rio em f\u00e9rias coletivas produz consequ\u00eancias pr\u00e1ticas de significativa relev\u00e2ncia. Todos os empregados abrangidos pelas f\u00e9rias coletivas receber\u00e3o automaticamente o abono correspondente a um ter\u00e7o do per\u00edodo, gozando efetivamente apenas vinte dias de descanso e recebendo em dinheiro o equivalente aos dez dias convertidos.<\/p>\n<p>Esta uniformidade diferencia-se radicalmente do regime das f\u00e9rias individuais, no qual cada empregado decide isoladamente sobre a convers\u00e3o, gerando situa\u00e7\u00f5es diferenciadas no \u00e2mbito de uma mesma empresa. Nas f\u00e9rias coletivas com abono pecuni\u00e1rio autorizado por norma coletiva, todos os trabalhadores receber\u00e3o a parcela, independentemente de suas prefer\u00eancias individuais, n\u00e3o havendo possibilidade de exce\u00e7\u00f5es ou tratamentos diferenciados.<\/p>\n<p>Empregado que preferiria gozar integralmente os trinta dias de f\u00e9rias coletivas, n\u00e3o desejando receber o abono pecuni\u00e1rio, n\u00e3o pode manifestar esta op\u00e7\u00e3o individual contr\u00e1ria \u00e0 previs\u00e3o coletiva. A cl\u00e1usula do instrumento coletivo, regularmente negociada entre o sindicato e o empregador, prevalece sobre eventuais prefer\u00eancias individuais divergentes, aplicando-se uniformemente a todos os membros da categoria abrangidos pelas f\u00e9rias coletivas.<\/p>\n<p>O empregador, por sua vez, n\u00e3o pode excluir determinados empregados do recebimento do abono pecuni\u00e1rio quando houver autoriza\u00e7\u00e3o coletiva, ainda que alguns trabalhadores manifestem desinteresse na convers\u00e3o ou prefer\u00eancia pelo gozo integral do per\u00edodo. A aplica\u00e7\u00e3o uniforme constitui decorr\u00eancia necess\u00e1ria do car\u00e1ter coletivo tanto das f\u00e9rias quanto da norma que autoriza o abono pecuni\u00e1rio.<\/p>\n<p>Os c\u00e1lculos do abono pecuni\u00e1rio em f\u00e9rias coletivas observam as mesmas regras aplic\u00e1veis \u00e0s f\u00e9rias individuais, considerando-se a remunera\u00e7\u00e3o de cada empregado acrescida do ter\u00e7o constitucional, dividida por tr\u00eas. A diversidade de remunera\u00e7\u00f5es no quadro funcional implica que, embora todos recebam o abono pecuni\u00e1rio, os valores individuais ser\u00e3o distintos, proporcionais aos respectivos sal\u00e1rios.<\/p>\n<hr \/>\n<h2><strong>6. Aspectos Tribut\u00e1rios e Previdenci\u00e1rios<\/strong><\/h2>\n<h3><strong>6.1. Contribui\u00e7\u00e3o Previdenci\u00e1ria<\/strong><\/h3>\n<p>A exclus\u00e3o do abono pecuni\u00e1rio de f\u00e9rias da base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria constitui consequ\u00eancia direta de sua natureza indenizat\u00f3ria, expressamente reconhecida pela legisla\u00e7\u00e3o de custeio da seguridade social. O artigo 28, par\u00e1grafo nono, al\u00ednea &#8220;e&#8221;, item 6, da Lei 8.212\/1991, com reda\u00e7\u00e3o conferida pela Lei 9.711\/1998, estabelece que n\u00e3o integram o sal\u00e1rio de contribui\u00e7\u00e3o, para os efeitos de incid\u00eancia de contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias, as import\u00e2ncias recebidas a t\u00edtulo de abono pecuni\u00e1rio de f\u00e9rias.<\/p>\n<p>Esta exclus\u00e3o aplica-se tanto \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria devida pelo empregado, descontada de sua remunera\u00e7\u00e3o, quanto \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o patronal incidente sobre a folha de pagamentos. O empregador n\u00e3o deve considerar o valor do abono pecuni\u00e1rio ao calcular o montante sobre o qual incidir\u00e1 a al\u00edquota de contribui\u00e7\u00e3o patronal, e n\u00e3o deve proceder a desconto previdenci\u00e1rio sobre esta parcela quando do pagamento ao empregado.<\/p>\n<p>A fundamenta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica desta exclus\u00e3o reside no conceito de sal\u00e1rio de contribui\u00e7\u00e3o estabelecido pelo artigo 28, inciso I, da Lei 8.212\/1991, que o define como a remunera\u00e7\u00e3o auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer t\u00edtulo, durante o m\u00eas, destinados a retribuir o trabalho. O abono pecuni\u00e1rio, n\u00e3o se caracterizando como retribui\u00e7\u00e3o pelo trabalho prestado, mas como indeniza\u00e7\u00e3o pela n\u00e3o frui\u00e7\u00e3o de dez dias de f\u00e9rias, n\u00e3o se enquadra no conceito de remunera\u00e7\u00e3o para fins previdenci\u00e1rios.<\/p>\n<p>A Receita Federal do Brasil, atrav\u00e9s de sucessivos atos normativos e manifesta\u00e7\u00f5es em respostas a consultas, tem reiterado o entendimento de que o abono pecuni\u00e1rio de f\u00e9rias n\u00e3o integra a base de c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias. Esta posi\u00e7\u00e3o consolidada proporciona seguran\u00e7a jur\u00eddica aos empregadores quanto ao tratamento previdenci\u00e1rio da parcela, reduzindo riscos de autua\u00e7\u00f5es ou questionamentos fiscais relacionados \u00e0 mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Cabe ressaltar que a exclus\u00e3o aplica-se exclusivamente ao abono pecuni\u00e1rio propriamente dito, n\u00e3o se estendendo \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o dos vinte dias de f\u00e9rias efetivamente gozados nem ao ter\u00e7o constitucional incidente sobre estes dias. As f\u00e9rias gozadas durante a vig\u00eancia do contrato de trabalho possuem natureza salarial, integrando normalmente a base de c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias, tanto do empregado quanto do empregador.<\/p>\n<h3><strong>6.2. Imposto de Renda<\/strong><\/h3>\n<p>A tributa\u00e7\u00e3o do abono pecuni\u00e1rio de f\u00e9rias pelo imposto de renda sobre a renda das pessoas f\u00edsicas constitui mat\u00e9ria que, embora aparentemente contradit\u00f3ria em face da natureza indenizat\u00f3ria reconhecida pela legisla\u00e7\u00e3o trabalhista e previdenci\u00e1ria, encontra-se solidamente estabelecida pela Receita Federal do Brasil. O abono pecuni\u00e1rio sujeita-se \u00e0 incid\u00eancia do imposto de renda tanto na fonte, por ocasi\u00e3o do pagamento, quanto na declara\u00e7\u00e3o anual de ajuste do contribuinte.<\/p>\n<p>Esta posi\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria fundamenta-se na interpreta\u00e7\u00e3o de que a legisla\u00e7\u00e3o do imposto de renda n\u00e3o estabelece isen\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para o abono pecuni\u00e1rio de f\u00e9rias, incluindo-o genericamente no conceito de rendimentos tribut\u00e1veis. O artigo 43 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional define como fato gerador do imposto de renda a aquisi\u00e7\u00e3o da disponibilidade econ\u00f4mica ou jur\u00eddica de renda ou de proventos de qualquer natureza, conceito amplo que abrange diversas modalidades de acr\u00e9scimos patrimoniais.<\/p>\n<p>A Lei 7.713\/1988, que disp\u00f5e sobre o imposto de renda das pessoas f\u00edsicas, estabelece em seu artigo 6\u00ba o rol de rendimentos isentos ou n\u00e3o tribut\u00e1veis. Embora este dispositivo contemple diversas parcelas de natureza indenizat\u00f3ria, n\u00e3o inclui expressamente o abono pecuni\u00e1rio de f\u00e9rias entre as hip\u00f3teses de isen\u00e7\u00e3o. Esta aus\u00eancia de previs\u00e3o legal espec\u00edfica tem sido interpretada pela Receita Federal como indicativa da tributabilidade da parcela.<\/p>\n<p>A aparente contradi\u00e7\u00e3o entre o reconhecimento da natureza indenizat\u00f3ria do abono pecuni\u00e1rio para fins trabalhistas e previdenci\u00e1rios, de um lado, e sua tributa\u00e7\u00e3o pelo imposto de renda, de outro, decorre da autonomia dos diversos ramos do direito e da independ\u00eancia das respectivas legisla\u00e7\u00f5es. Cada diploma legal estabelece seus pr\u00f3prios conceitos e categorias, podendo atribuir tratamentos diferenciados a uma mesma parcela segundo os objetivos e princ\u00edpios espec\u00edficos que informam aquele ramo jur\u00eddico.<\/p>\n<p>O empregador, na qualidade de fonte pagadora, possui obriga\u00e7\u00e3o legal de proceder \u00e0 reten\u00e7\u00e3o do imposto de renda na fonte sobre o abono pecuni\u00e1rio, aplicando a tabela progressiva vigente e considerando as dedu\u00e7\u00f5es legalmente admiss\u00edveis. O valor retido deve ser informado no comprovante de rendimentos fornecido ao empregado para fins de declara\u00e7\u00e3o anual, possibilitando que o trabalhador proceda aos ajustes cab\u00edveis em sua declara\u00e7\u00e3o de imposto de renda.<\/p>\n<h3><strong>6.3. Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o<\/strong><\/h3>\n<p>O abono pecuni\u00e1rio de f\u00e9rias n\u00e3o integra a base de c\u00e1lculo dos dep\u00f3sitos do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o, em decorr\u00eancia de sua natureza indenizat\u00f3ria e da aus\u00eancia de car\u00e1ter remunerat\u00f3rio. O artigo 15 da Lei 8.036\/1990, que disp\u00f5e sobre o FGTS, estabelece que os dep\u00f3sitos ser\u00e3o efetuados na conta vinculada do trabalhador com base na remunera\u00e7\u00e3o paga ou devida ao empregado, conceito do qual o abono pecuni\u00e1rio encontra-se exclu\u00eddo.<\/p>\n<p>A Caixa Econ\u00f4mica Federal, na qualidade de agente operador do FGTS, atrav\u00e9s de circulares e orienta\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, tem manifestado entendimento no sentido de que o abono pecuni\u00e1rio n\u00e3o deve ser considerado para fins de c\u00e1lculo dos dep\u00f3sitos fundi\u00e1rios. Esta posi\u00e7\u00e3o harmoniza-se com a natureza jur\u00eddica da parcela e com o tratamento conferido pela legisla\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria, que igualmente exclui o abono pecuni\u00e1rio da base de c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>A exclus\u00e3o do abono pecuni\u00e1rio da base de c\u00e1lculo do FGTS n\u00e3o prejudica o trabalhador quanto ao c\u00f4mputo do per\u00edodo de f\u00e9rias para fins fundi\u00e1rios. Os vinte dias efetivamente gozados de f\u00e9rias, bem como os dez dias convertidos em abono pecuni\u00e1rio, integram o tempo de servi\u00e7o do empregado para todos os efeitos legais, inclusive para fins de antiguidade, progress\u00f5es e demais direitos vinculados ao tempo de contrato.<\/p>\n<h3><strong>6.4. N\u00e3o Integra\u00e7\u00e3o a Outras Verbas<\/strong><\/h3>\n<p>A natureza indenizat\u00f3ria do abono pecuni\u00e1rio implica sua n\u00e3o integra\u00e7\u00e3o \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o do empregado para fins de c\u00e1lculo de outras parcelas trabalhistas. Este efeito decorre diretamente da disposi\u00e7\u00e3o expressa do artigo 144 da CLT, que estabelece que o abono pecuni\u00e1rio n\u00e3o integra a remunera\u00e7\u00e3o do empregado para os efeitos da legisla\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>O abono pecuni\u00e1rio n\u00e3o se incorpora ao c\u00e1lculo do d\u00e9cimo terceiro sal\u00e1rio, considerando-se que a gratifica\u00e7\u00e3o natalina tem por base a remunera\u00e7\u00e3o integral devida ao empregado no m\u00eas de dezembro, ou a m\u00e9dia da remunera\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel quando aplic\u00e1vel, conceitos dos quais o abono pecuni\u00e1rio est\u00e1 expressamente exclu\u00eddo. A convers\u00e3o de parte das f\u00e9rias em pec\u00fania n\u00e3o repercute, portanto, sobre o valor da gratifica\u00e7\u00e3o natalina a ser paga ao final do ano.<\/p>\n<p>Igualmente, o abono pecuni\u00e1rio n\u00e3o integra a base de c\u00e1lculo do aviso pr\u00e9vio, seja trabalhado ou indenizado. O valor devido a t\u00edtulo de aviso pr\u00e9vio corresponde \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o que o empregado perceberia se estivesse em atividade durante o per\u00edodo, n\u00e3o incluindo parcelas de natureza indenizat\u00f3ria que eventualmente tenha recebido durante a vig\u00eancia do contrato.<\/p>\n<p>As horas extras habituais, quando devidas, n\u00e3o sofrem qualquer influ\u00eancia do abono pecuni\u00e1rio. O c\u00e1lculo das horas extraordin\u00e1rias considera o sal\u00e1rio-hora do empregado acrescido do adicional legal ou normativo, sem qualquer repercuss\u00e3o de parcelas indenizat\u00f3rias como o abono pecuni\u00e1rio. Reciprocamente, o abono pecuni\u00e1rio n\u00e3o sofre acr\u00e9scimos ou reflexos decorrentes de horas extras eventualmente realizadas pelo empregado.<\/p>\n<p>Os adicionais legais ou normativos, como adicional noturno, insalubridade, periculosidade, transfer\u00eancia, entre outros, possuem bases de c\u00e1lculo espec\u00edficas definidas em lei ou em normas coletivas, n\u00e3o sendo afetados pelo recebimento de abono pecuni\u00e1rio. A autonomia e a natureza indenizat\u00f3ria do abono impedem qualquer forma de integra\u00e7\u00e3o ou repercuss\u00e3o sobre estas parcelas.<\/p>\n<p>O car\u00e1ter aut\u00f4nomo do abono pecuni\u00e1rio manifesta-se tamb\u00e9m na circunst\u00e2ncia de que sua percep\u00e7\u00e3o em determinado per\u00edodo n\u00e3o cria direito adquirido ou expectativa de recebimento em per\u00edodos subsequentes. O empregado que converte um ter\u00e7o das f\u00e9rias em abono pecuni\u00e1rio em determinado ano n\u00e3o possui direito a continuar recebendo esta parcela nos anos seguintes, devendo manifestar novamente sua op\u00e7\u00e3o a cada per\u00edodo aquisitivo, respeitado o prazo decadencial de quinze dias antes do t\u00e9rmino de cada per\u00edodo.<\/p>\n<hr \/>\n<h2><strong>7. Situa\u00e7\u00f5es Especiais e D\u00favidas Frequentes<\/strong><\/h2>\n<h3><strong>7.1. Perda do Prazo<\/strong><\/h3>\n<p>A perda do prazo decadencial de quinze dias antes do t\u00e9rmino do per\u00edodo aquisitivo extingue o direito potestativo do empregado de converter um ter\u00e7o das f\u00e9rias em abono pecuni\u00e1rio relativamente \u00e0quele per\u00edodo espec\u00edfico. Esta extin\u00e7\u00e3o opera automaticamente, independentemente de manifesta\u00e7\u00e3o do empregador ou de qualquer ato formal, sendo consequ\u00eancia direta e inexor\u00e1vel do transcurso do prazo sem que tenha havido exerc\u00edcio da faculdade legal.<\/p>\n<p>O empregado que deixa transcorrer o prazo sem apresentar requerimento de convers\u00e3o n\u00e3o pode posteriormente exigir que o empregador conceda o abono pecuni\u00e1rio, ainda que alegue desconhecimento do prazo, esquecimento, ou quaisquer outras justificativas de ordem pessoal. O direito potestativo, por sua pr\u00f3pria natureza, sujeita-se a prazo de exerc\u00edcio cujo desrespeito acarreta sua perda definitiva.<\/p>\n<p>Entretanto, a perda do prazo decadencial n\u00e3o impede que o empregador, por liberalidade ou mediante negocia\u00e7\u00e3o com o trabalhador, concorde voluntariamente com a convers\u00e3o mesmo ap\u00f3s transcorrido o prazo legal. Nesta hip\u00f3tese, a concess\u00e3o do abono pecuni\u00e1rio n\u00e3o mais decorre do exerc\u00edcio de direito potestativo legalmente assegurado ao empregado, mas caracteriza-se como acordo bilateral entre as partes, fundamentado na autonomia privada e no poder diretivo do empregador.<\/p>\n<p>A convers\u00e3o concedida ap\u00f3s o prazo decadencial, mediante concord\u00e2ncia patronal, produz os mesmos efeitos jur\u00eddicos e financeiros que a convers\u00e3o tempestiva, devendo o empregado receber o valor correspondente a um ter\u00e7o das f\u00e9rias acrescidas do ter\u00e7o constitucional e gozar apenas vinte dias efetivos de descanso. A diferen\u00e7a reside exclusivamente no fundamento jur\u00eddico da concess\u00e3o, que passa a ser a vontade bilateral das partes em detrimento do exerc\u00edcio unilateral de direito potestativo.<\/p>\n<h3><strong>7.2. Revoga\u00e7\u00e3o do Pedido<\/strong><\/h3>\n<p>Quest\u00e3o que suscita d\u00favidas na pr\u00e1tica trabalhista refere-se \u00e0 possibilidade de o empregado revogar ou retratar-se de requerimento de abono pecuni\u00e1rio j\u00e1 apresentado, manifestando posteriormente interesse em gozar integralmente os trinta dias de f\u00e9rias. A legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o disciplina expressamente esta hip\u00f3tese, cabendo \u00e0 doutrina e \u00e0 jurisprud\u00eancia estabelecer os par\u00e2metros aplic\u00e1veis.<\/p>\n<p>O entendimento predominante reconhece a possibilidade de revoga\u00e7\u00e3o do pedido de abono pecuni\u00e1rio desde que esta se opere antes da efetiva concess\u00e3o das f\u00e9rias pelo empregador. Uma vez que o empregado tenha iniciado o gozo das f\u00e9rias com o abono pecuni\u00e1rio j\u00e1 deferido e pago, a revoga\u00e7\u00e3o torna-se juridicamente invi\u00e1vel, considerando-se que os efeitos do ato j\u00e1 se consumaram mediante o pagamento da parcela e o gozo de apenas vinte dias.<\/p>\n<p>A revoga\u00e7\u00e3o antes da concess\u00e3o das f\u00e9rias, contudo, depende de concord\u00e2ncia do empregador, que pode ter j\u00e1 efetuado planejamentos e c\u00e1lculos considerando a convers\u00e3o solicitada. O empregado deve manifestar formalmente sua inten\u00e7\u00e3o de revogar o pedido, preferencialmente por escrito, esclarecendo que deseja gozar integralmente os trinta dias de f\u00e9rias sem convers\u00e3o em abono pecuni\u00e1rio.<\/p>\n<p>O empregador que concorde com a revoga\u00e7\u00e3o simplesmente desconsiderar\u00e1 o requerimento original, concedendo ao empregado f\u00e9rias integrais de trinta dias e efetuando o pagamento correspondente sem inclus\u00e3o de abono pecuni\u00e1rio. Caso o empregador n\u00e3o concorde com a revoga\u00e7\u00e3o, prevalecer\u00e1 o requerimento original, devendo as f\u00e9rias serem concedidas com a convers\u00e3o inicialmente solicitada pelo trabalhador.<\/p>\n<h3><strong>7.3. F\u00e9rias Proporcionais na Rescis\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>O abono pecuni\u00e1rio n\u00e3o se aplica \u00e0s f\u00e9rias proporcionais devidas por ocasi\u00e3o da extin\u00e7\u00e3o do contrato de trabalho. Esta impossibilidade decorre de raz\u00f5es de ordem l\u00f3gica e pr\u00e1tica, considerando-se que as f\u00e9rias proporcionais correspondem a per\u00edodo aquisitivo incompleto, sendo pagas de forma indenizada sem possibilidade de gozo efetivo.<\/p>\n<p>O empregado que tem seu contrato extinto antes de completar doze meses desde a \u00faltima aquisi\u00e7\u00e3o de f\u00e9rias receber\u00e1 f\u00e9rias proporcionais calculadas na base de um doze avos por m\u00eas trabalhado ou fra\u00e7\u00e3o superior a quatorze dias, acrescidas do ter\u00e7o constitucional. Estas f\u00e9rias proporcionais ser\u00e3o pagas integralmente na rescis\u00e3o, sem possibilidade de convers\u00e3o parcial em abono pecuni\u00e1rio, uma vez que j\u00e1 possuem natureza integralmente indenizat\u00f3ria pela impossibilidade de gozo efetivo ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo.<\/p>\n<p>Diferente \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o das f\u00e9rias vencidas pagas na rescis\u00e3o. Se o empregado havia tempestivamente requerido a convers\u00e3o de um ter\u00e7o das f\u00e9rias vencidas em abono pecuni\u00e1rio antes da extin\u00e7\u00e3o do contrato, este direito j\u00e1 adquirido deve ser respeitado na rescis\u00e3o. O empregador pagar\u00e1 as f\u00e9rias vencidas correspondentes a vinte dias, acrescidas do ter\u00e7o constitucional proporcional, mais o abono pecuni\u00e1rio correspondente aos dez dias convertidos, respeitando a op\u00e7\u00e3o previamente manifestada pelo trabalhador.<\/p>\n<p>Empregado que possu\u00eda direito a f\u00e9rias vencidas mas n\u00e3o havia exercido tempestivamente a faculdade de convers\u00e3o em abono pecuni\u00e1rio receber\u00e1 na rescis\u00e3o o valor integral das f\u00e9rias vencidas correspondente a trinta dias, acrescido do ter\u00e7o constitucional, sem possibilidade de requerer a convers\u00e3o parcial neste momento. O prazo decadencial para exerc\u00edcio do direito potestativo ao abono pecuni\u00e1rio n\u00e3o se prorroga nem se reestabelece em raz\u00e3o da extin\u00e7\u00e3o contratual.<\/p>\n<h3><strong>7.4. Menores de 18 Anos e Maiores de 50 Anos<\/strong><\/h3>\n<p>A veda\u00e7\u00e3o de fracionamento de f\u00e9rias estabelecida pelo artigo 134, par\u00e1grafo segundo, da CLT para empregados menores de dezoito anos e maiores de cinquenta anos n\u00e3o se estende ao abono pecuni\u00e1rio de f\u00e9rias. Trabalhadores nestas faixas et\u00e1rias podem validamente exercer a faculdade de converter um ter\u00e7o do per\u00edodo de f\u00e9rias em pec\u00fania, desde que observado o prazo decadencial de quinze dias antes do t\u00e9rmino do per\u00edodo aquisitivo.<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o fundamenta-se na natureza diversa dos institutos. O fracionamento implica divis\u00e3o temporal do per\u00edodo de descanso, com gozo fragmentado em m\u00faltiplos momentos ao longo do ano, situa\u00e7\u00e3o que o legislador entendeu inadequada para trabalhadores adolescentes e para aqueles em idade mais avan\u00e7ada. O abono pecuni\u00e1rio, diversamente, n\u00e3o envolve fragmenta\u00e7\u00e3o do descanso, mas sim redu\u00e7\u00e3o de sua dura\u00e7\u00e3o de trinta para vinte dias, mantendo-se a continuidade do per\u00edodo efetivamente gozado.<\/p>\n<p>Empregado menor de dezoito anos ou maior de cinquenta anos que opte pelo abono pecuni\u00e1rio gozar\u00e1 vinte dias corridos de f\u00e9rias, sem possibilidade de fracionamento deste per\u00edodo. A veda\u00e7\u00e3o legal ao fracionamento permanece aplic\u00e1vel, impedindo a divis\u00e3o dos vinte dias em m\u00faltiplos per\u00edodos, mas n\u00e3o obsta a convers\u00e3o de um ter\u00e7o em pec\u00fania com gozo cont\u00ednuo dos vinte dias remanescentes.<\/p>\n<p>Esta interpreta\u00e7\u00e3o harmoniza-se com os objetivos protetivos da legisla\u00e7\u00e3o. A veda\u00e7\u00e3o de fracionamento visa assegurar per\u00edodo de descanso cont\u00ednuo e n\u00e3o fragmentado para categorias de trabalhadores consideradas mais vulner\u00e1veis. O abono pecuni\u00e1rio, embora reduza a dura\u00e7\u00e3o do descanso, n\u00e3o compromete sua continuidade, mantendo per\u00edodo de vinte dias corridos que ainda se mostra adequado para recupera\u00e7\u00e3o das energias do trabalhador, mesmo tratando-se de menores de dezoito anos ou maiores de cinquenta anos.<\/p>\n<hr \/>\n<h2><strong>8. Boas Pr\u00e1ticas<\/strong><\/h2>\n<p>A gest\u00e3o adequada do abono pecuni\u00e1rio de f\u00e9rias demanda procedimentos estruturados tanto por parte dos empregadores quanto dos empregados, visando assegurar o exerc\u00edcio regular do direito, prevenir controv\u00e9rsias, e garantir o cumprimento de todas as obriga\u00e7\u00f5es legais aplic\u00e1veis.<\/p>\n<h3><strong>8.1. Para Empregadores<\/strong><\/h3>\n<p>O estabelecimento de procedimento claro e transparente para requerimento e concess\u00e3o de abono pecuni\u00e1rio constitui boa pr\u00e1tica que facilita a gest\u00e3o administrativa e previne questionamentos. Recomenda-se a elabora\u00e7\u00e3o de norma interna que discipline a mat\u00e9ria, especificando o prazo para apresenta\u00e7\u00e3o de requerimentos, a forma adequada para manifesta\u00e7\u00e3o do empregado, o setor respons\u00e1vel pelo recebimento e processamento dos pedidos, e os prazos internos para an\u00e1lise e deferimento.<\/p>\n<p>A disponibiliza\u00e7\u00e3o de formul\u00e1rio padronizado para requerimento de abono pecuni\u00e1rio simplifica o procedimento e assegura uniformidade na documenta\u00e7\u00e3o. O formul\u00e1rio deve conter campos para identifica\u00e7\u00e3o completa do empregado, especifica\u00e7\u00e3o do per\u00edodo aquisitivo a que se refere o pedido, data de apresenta\u00e7\u00e3o, e espa\u00e7os para assinatura tanto do trabalhador quanto do respons\u00e1vel pelo recebimento. A elabora\u00e7\u00e3o em duas vias, com entrega de uma ao empregado como comprovante, constitui procedimento recomend\u00e1vel.<\/p>\n<p>O controle rigoroso dos prazos revela-se essencial. O departamento de recursos humanos deve manter registros atualizados dos per\u00edodos aquisitivos de cada empregado, identificando com anteced\u00eancia aqueles cujos per\u00edodos est\u00e3o pr\u00f3ximos do t\u00e9rmino. Sistema informatizado que gere alertas sobre o prazo de quinze dias para requerimento de abono pecuni\u00e1rio contribui significativamente para que os empregados sejam informados em tempo h\u00e1bil sobre a possibilidade de exerc\u00edcio desta faculdade.<\/p>\n<p>A documenta\u00e7\u00e3o completa de todos os procedimentos relacionados ao abono pecuni\u00e1rio mostra-se indispens\u00e1vel. O empregador deve manter arquivo organizado contendo os requerimentos apresentados pelos empregados, os comprovantes de deferimento, os c\u00e1lculos realizados, e os recibos de pagamento. Esta documenta\u00e7\u00e3o constitui prova essencial do cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es legais em eventual fiscaliza\u00e7\u00e3o administrativa ou demanda judicial.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o adequada aos empregados sobre o direito ao abono pecuni\u00e1rio e sobre os procedimentos para seu exerc\u00edcio constitui boa pr\u00e1tica que demonstra respeito aos direitos dos trabalhadores e transpar\u00eancia nas rela\u00e7\u00f5es laborais. Comunica\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas, especialmente quando se aproxima o t\u00e9rmino de per\u00edodos aquisitivos, lembrando os empregados sobre a faculdade de convers\u00e3o e sobre o prazo para requerimento, contribuem para que os trabalhadores possam exercer conscientemente seus direitos.<\/p>\n<p>Os c\u00e1lculos do abono pecuni\u00e1rio devem ser realizados com rigor t\u00e9cnico, observando-se as f\u00f3rmulas corretas e considerando-se adequadamente todas as parcelas que comp\u00f5em a remunera\u00e7\u00e3o de cada empregado. A revis\u00e3o dos c\u00e1lculos por profissional experiente antes do pagamento constitui controle de qualidade essencial que previne erros e assegura o pagamento de valores corretos.<\/p>\n<p>A discrimina\u00e7\u00e3o clara e detalhada nos recibos de pagamento facilita a compreens\u00e3o do empregado sobre os valores recebidos e permite verifica\u00e7\u00e3o da corre\u00e7\u00e3o dos c\u00e1lculos. O recibo deve especificar separadamente o valor da remunera\u00e7\u00e3o de f\u00e9rias correspondente aos vinte dias de gozo efetivo, o ter\u00e7o constitucional incidente sobre estes vinte dias, e o abono pecuni\u00e1rio correspondente aos dez dias convertidos, possibilitando identifica\u00e7\u00e3o precisa de cada parcela.<\/p>\n<h3><strong>8.2. Para Empregados<\/strong><\/h3>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o criteriosa da conveni\u00eancia de converter um ter\u00e7o das f\u00e9rias em abono pecuni\u00e1rio constitui decis\u00e3o pessoal que cada trabalhador deve tomar considerando suas circunst\u00e2ncias espec\u00edficas. O empregado deve ponderar suas necessidades financeiras, a sufici\u00eancia de vinte dias de descanso para sua adequada recupera\u00e7\u00e3o f\u00edsica e mental, seus compromissos pessoais e familiares, e quaisquer outros fatores relevantes para sua situa\u00e7\u00e3o individual.<\/p>\n<p>Empregados com necessidades financeiras espec\u00edficas, como aquisi\u00e7\u00e3o de bens, pagamento de d\u00edvidas, ou financiamento de projetos pessoais, podem encontrar no abono pecuni\u00e1rio importante fonte de recursos adicionais. Inversamente, trabalhadores que desenvolvem atividades de elevado desgaste f\u00edsico ou mental, ou que valorizam particularmente per\u00edodos mais extensos de descanso, podem preferir gozar integralmente os trinta dias de f\u00e9rias, abrindo m\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o adicional de recursos financeiros.<\/p>\n<p>O respeito rigoroso ao prazo de quinze dias antes do t\u00e9rmino do per\u00edodo aquisitivo mostra-se fundamental para preserva\u00e7\u00e3o do direito. O empregado deve manter controle de seus per\u00edodos aquisitivos, identificando com anteced\u00eancia a data limite para apresenta\u00e7\u00e3o de eventual requerimento de abono pecuni\u00e1rio. A perda do prazo decadencial implica impossibilidade de exerc\u00edcio do direito relativamente \u00e0quele per\u00edodo, tornando in\u00fatil qualquer requerimento posterior.<\/p>\n<p>A formaliza\u00e7\u00e3o por escrito do requerimento de abono pecuni\u00e1rio, ainda que a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o estabele\u00e7a forma espec\u00edfica, constitui prud\u00eancia que protege o empregado contra eventuais alega\u00e7\u00f5es de aus\u00eancia ou intempestividade do pedido. O trabalhador deve obter comprovante de entrega do requerimento ao empregador, com data e identifica\u00e7\u00e3o de quem recebeu o documento, constituindo prova essencial do exerc\u00edcio tempestivo de seu direito.<\/p>\n<p>O arquivamento de toda a documenta\u00e7\u00e3o relacionada ao abono pecuni\u00e1rio, incluindo o requerimento apresentado, os recibos de pagamento, e quaisquer outros documentos pertinentes, permite ao empregado eventual comprova\u00e7\u00e3o futura de seus direitos. Esta documenta\u00e7\u00e3o mostra-se especialmente relevante em caso de rescis\u00e3o contratual, quando pode ser necess\u00e1rio demonstrar que determinadas f\u00e9rias foram pagas com abono pecuni\u00e1rio.<\/p>\n<p>A verifica\u00e7\u00e3o cuidadosa dos c\u00e1lculos efetuados pelo empregador e dos valores efetivamente pagos constitui direito e dever do trabalhador. O empregado deve conferir se o valor do abono pecuni\u00e1rio corresponde efetivamente a um ter\u00e7o do total das f\u00e9rias acrescidas do ter\u00e7o constitucional, e se os valores de f\u00e9rias e abono pecuni\u00e1rio somados equivalem ao montante que receberia se gozasse integralmente os trinta dias. Discrep\u00e2ncias ou d\u00favidas devem ser imediatamente esclarecidas junto ao departamento de recursos humanos.<\/p>\n<p>O planejamento adequado dos vinte dias de gozo efetivo, quando o empregado opta pelo abono pecuni\u00e1rio, revela-se importante para assegurar o aproveitamento adequado do per\u00edodo de descanso. O trabalhador deve programar atividades, viagens ou simplesmente o descanso dom\u00e9stico de modo a obter recupera\u00e7\u00e3o efetiva de suas energias durante os vinte dias dispon\u00edveis, evitando que a redu\u00e7\u00e3o do per\u00edodo comprometa os objetivos essenciais do instituto das f\u00e9rias.<\/p>\n<hr \/>\n<h2><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>O abono pecuni\u00e1rio de f\u00e9rias representa importante mecanismo de autonomia do trabalhador na gest\u00e3o de seus direitos, permitindo-lhe converter um ter\u00e7o do per\u00edodo de descanso anual em recursos financeiros segundo suas necessidades e prefer\u00eancias individuais. A an\u00e1lise desenvolvida neste estudo evidencia que, embora constitua faculdade amplamente utilizada na pr\u00e1tica trabalhista brasileira, o instituto submete-se a requisitos e procedimentos espec\u00edficos que devem ser rigorosamente observados para sua validade e efic\u00e1cia.<\/p>\n<p>O exerc\u00edcio tempestivo do direito potestativo, mediante requerimento apresentado at\u00e9 quinze dias antes do t\u00e9rmino do per\u00edodo aquisitivo, revela-se essencial para preserva\u00e7\u00e3o da faculdade de convers\u00e3o. A natureza decadencial deste prazo n\u00e3o admite flexibiliza\u00e7\u00f5es, operando automaticamente a extin\u00e7\u00e3o do direito quando transcorrido sem manifesta\u00e7\u00e3o do empregado.<\/p>\n<p>Os aspectos financeiros do abono pecuni\u00e1rio, especialmente sua natureza indenizat\u00f3ria e as consequ\u00eancias tribut\u00e1rias e previdenci\u00e1rias desta caracteriza\u00e7\u00e3o, demonstram a complexidade do regime jur\u00eddico aplic\u00e1vel. A exclus\u00e3o da base de c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias contrasta com a tributa\u00e7\u00e3o pelo imposto de renda, evidenciando a autonomia dos diversos ramos do direito na disciplina de seus institutos espec\u00edficos.<\/p>\n<p>O regime diferenciado aplic\u00e1vel \u00e0s f\u00e9rias coletivas, que condiciona a convers\u00e3o \u00e0 exist\u00eancia de acordo coletivo negociado com o sindicato da categoria, ilustra a necess\u00e1ria articula\u00e7\u00e3o entre autonomia individual e prote\u00e7\u00e3o coletiva no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>Para empregadores e empregados, a compreens\u00e3o adequada dos direitos, obriga\u00e7\u00f5es e procedimentos relacionados ao abono pecuni\u00e1rio mostra-se fundamental para o exerc\u00edcio regular desta importante faculdade legal, conciliando as leg\u00edtimas necessidades financeiras dos trabalhadores com a preserva\u00e7\u00e3o de per\u00edodo m\u00ednimo de descanso que assegure a efetividade dos objetivos protetivos do instituto das f\u00e9rias.<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m,<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/guia-de-ferias-na-consolidacao-das-leis-trabalhistas\/\">F\u00e9rias na Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/periodo-concessivo-de-ferias-prazos-escolha-da-epoca-e-pagamento-em-dobro\/\">Per\u00edodo concessivo de f\u00e9rias: prazos, escolha da \u00e9poca e pagamento em dobro<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/remuneracao-de-ferias-calculo-para-salario-fixo-e-variavel\/\">Remunera\u00e7\u00e3o de f\u00e9rias: c\u00e1lculo para sal\u00e1rio fixo e vari\u00e1vel<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/perda-do-direito-a-ferias-hipoteses-legais\/\">Perda do Direito \u00e0 f\u00e9rias: hip\u00f3teses legais<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/ferias-e-afastamentos-impactos-no-periodo-aquisitivo\/\">F\u00e9rias e afastamento. Impactos no per\u00edodo aquisitivo<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/barbieri.letsite.com.br\/ferias-vencidas-direitos-do-trabalhador-e-obrigacoes-do-empregador\/\">F\u00e9rias vencidas: Direitos do Trabalhador e obriga\u00e7\u00f5es do empregador<\/a><\/p>\n<h2><strong>Sobre o Autor<\/strong><\/h2>\n<p><strong>Maur\u00edcio Lindenmeyer Barbieri<\/strong> \u00e9 s\u00f3cio da Barbieri Advogados. Mestre em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), inscrito na Ordem dos Advogados da Alemanha (RAK Stuttgart, n\u00ba 50.159), na Ordem dos Advogados de Portugal (OAB Lisboa, n\u00ba 64443L) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB\/RS n\u00ba 36.798, OAB\/DF n\u00ba 24.037, OAB\/SC n\u00ba 61.179-A, OAB\/PR n\u00ba 101.305, OAB\/SP n\u00ba 521.298), Membro da Associa\u00e7\u00e3o de Juristas Brasil Alemanha.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Artigo publicado no blog da Barbieri Advogados. Todos os direitos reservados. A reprodu\u00e7\u00e3o total ou parcial deste conte\u00fado sem autoriza\u00e7\u00e3o expressa \u00e9 proibida.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><script type=\"application\/ld+json\">{  \"@context\": \"https:\/\/schema.org\",  \"@type\": \"FAQPage\",  \"mainEntity\": [    {      \"@type\": \"Question\",      \"name\": \"O que \u00e9 o Abono Pecuni\u00e1rio de F\u00e9rias?\",      \"acceptedAnswer\": {        \"@type\": \"Answer\",        \"text\": \"O Abono Pecuni\u00e1rio de F\u00e9rias \u00e9 o direito do trabalhador de converter at\u00e9 um ter\u00e7o do per\u00edodo de f\u00e9rias em dinheiro, recebendo um pagamento adicional sem perder totalmente o descanso.\"      }    },    {      \"@type\": \"Question\",      \"name\": \"Como funciona o processo de convers\u00e3o das f\u00e9rias em dinheiro?\",      \"acceptedAnswer\": {        \"@type\": \"Answer\",        \"text\": \"O trabalhador deve formalizar a solicita\u00e7\u00e3o da convers\u00e3o at\u00e9 15 dias antes do t\u00e9rmino do per\u00edodo aquisitivo das f\u00e9rias, permitindo que essa parte das f\u00e9rias seja paga como abono pecuni\u00e1rio.\"      }    },    {      \"@type\": \"Question\",      \"name\": \"Quais s\u00e3o os direitos e a legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel ao Abono Pecuni\u00e1rio de F\u00e9rias?\",      \"acceptedAnswer\": {        \"@type\": \"Answer\",        \"text\": \"O direito est\u00e1 previsto na Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), garantindo que o empregado possa converter at\u00e9 um ter\u00e7o das f\u00e9rias em dinheiro, sem preju\u00edzo dos demais direitos trabalhistas.\"      }    },    {      \"@type\": \"Question\",      \"name\": \"Como calcular o valor do Abono Pecuni\u00e1rio de F\u00e9rias?\",      \"acceptedAnswer\": {        \"@type\": \"Answer\",        \"text\": \"O c\u00e1lculo considera o valor correspondente aos dias convertidos em dinheiro acrescido de um ter\u00e7o do sal\u00e1rio, conforme determina a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista.\"      }    },    {      \"@type\": \"Question\",      \"name\": \"Quais as vantagens e desvantagens do Abono Pecuni\u00e1rio de F\u00e9rias?\",      \"acceptedAnswer\": {        \"@type\": \"Answer\",        \"text\": \"A vantagem \u00e9 o recebimento de dinheiro extra em per\u00edodo que normalmente seria de descanso, oferecendo maior flexibilidade financeira. 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